Empresas portuguesas de construção civil portuguesa em Angola não estão preocupadas com concorrência chinesa

9 October 2006

Luanda, Angola, 09 Out – As principais empresas portuguesas de construção civil que operam em Angola não se sentem ameaçadas pela entrada dos empreiteiros chineses no mercado, apresentando a qualidade das suas obras como principal arma face ao aumento da concorrência.

“A entrada dos chineses não tem afectado a nossa carteira de obras”, afirmou à agência noticiosa portuguesa Heitor Ferro, da Mota/Engil, empresa que opera no mercado angolano há cerca de 60 anos, onde tem uma lista imensa de obras realizadas.

O Aeroporto Internacional de Luanda, Autódromo de Luanda, Hospital de Cabinda, estrada Lubango/Namibe, Complexo Penitenciário de Viana e Estádio Mário Santiago, além de inúmeras pontes, barragens e estradas por todo o país são algumas das principais obras construídas por esta empresa.

A Mota/Engil tem actualmente em curso importantes empreitadas, como a estrada Huambo/Cuito, a via rápida Benguela/Lobito ou a remodelação da zona marginal da Praia do Bispo, em Luanda, além de agências bancárias, complexos habitacionais e edifícios de escritórios.

O potencial do sector da construção civil portuguesa estará patente entre 18 e 22 de Outubro na IV Constrói Angola, um certame especializado que terá lugar nas instalações da Feira Internacional de Luanda (FILDA).

A feira conta com cerca de duas centenas de expositores, sendo Portugal o país estrangeiro com a maior representação, que inclui um espaço próprio promovido pela Associação Empresarial de Portugal (AEP), Associação Industrial Portuguesa (AIP) e o organismo para a promoção do comércio externo, ICEP.

O sector da construção civil em Angola foi um dos que sofreu maiores alterações nos últimos meses devido à entrada no mercado de empresas chinesas, que trouxeram milhares de trabalhadores, na sequência do empréstimo de dois mil milhões de dólares concedido ao governo angolano pelo EximBank da China.

“A chegada dos chineses provocou um certo impacto, mas não afectou a nossa actividade, principalmente porque eles não mexem muito com o nosso tipo de obras”, afirmou uma fonte da Soares da Costa, empresa que está actualmente a construir em Luanda empreendimentos como as Torres da Esso, na marginal, ou a sede da Sonangol.

Angola é o principal mercado externo desta construtora portuguesa, que iniciou a sua actividade no país em 1980 e já realizou obras como o Palácio das Telecomunicações, as sedes do BFA e do BCI e o Estádio dos Coqueiros.

Para a OPCA, a situação é um pouco diferente, já que a construtora portuguesa perdeu algumas obras para as empresas chinesas, mas, de acordo com Salomé Sobral, a baixa qualidade dos seus trabalhos conduzirá rapidamente a uma inversão da situação.

“Em termos de obras públicas, a presença chinesa fez com que perdêssemos alguns trabalhos, mas, devido à sua fraca qualidade, daqui a algum tempo vão voltar a chamar as empresas portuguesas para proceder às reparações”, salientou.

A OPCA, que está em Angola desde 1992, já construiu obras como a sede do BESA, a nova Escola Portuguesa de Luanda e o Hospital do Lubango, além de participar na reabilitação do Caminho-de-Ferro de Benguela.

A questão da qualidade foi também salientada por Luís Fontes, da Edifer, para quem as empresas chinesas “não fazem muita concorrência, porque têm pouca qualidade”.

De qualquer forma, considerou que “há espaço para todos” no mercado angolano, onde a Edifer chegou apenas há três anos e se prepara para realizar obras de vulto, como a nova fábrica de tintas da CIN e a construção do Sana Luanda Hotel.

Quem já sentiu a concorrência chinesa foi a Conduril, mais vocacionada para a construção de estradas e pontes, uma área em que as empresas orientais também estão a apostar em Angola.

“Sentimos um pouco o impacto da entrada dos chineses no mercado angolano porque muitas obras de construção de estradas foram- lhes adjudicadas”, admitiu Lígio Mourão.

A Conduril tem actualmente em curso em Angola obras como as pontes dos rios Dande e Keve e a reabilitação de estradas no Libongo, província do Bengo. (macauhub)

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