Sistema bancário angolano com depósitos de 6,5 mil milhões de dólares em 2005

13 October 2006

Luanda, Angola, 13 Out – O sistema bancário angolano apresentava no final de 2005 depósitos totais no valor de 6,5 mil milhões de dólares tendo apenas 45 por cento desse montante sido concedido em crédito, revela um estudo da Deloitte, quinta-feira divulgado em Luanda.

Nos últimos cinco anos, de acordo ainda com o estudo, os depósitos na banca comercial tiveram um crescimento médio anual de 19 por cento, atingindo um pico máximo no ano passado com um crescimento real cifrado nos 38,7 por cento.

O estudo justifica os números com o forte “aquecimento” da economia angolana na sequência do crescimento das receitas petrolíferas, pela acentuada redução dos níveis de inflação nos últimos dois anos e pela injecção de liquidez resultante do crescimento da despesa pública, no âmbito da implementação do Plano Geral do Governo.

O Banco de Poupança e Crédito (BPC) e o Banco Africano de Investimentos (BAI) registaram taxas superiores à média de mercado (89 e 79 por cento, respectivamente, contra 64 por cento do mercado). Como resultado, as duas instituições ficaram tecnicamente empatadas na liderança de depósitos.

O director da Deloitte Angola, Pedro Barreto, que apresentou o estudo, disse que o BPC centraliza a gestão das contas bancárias do Governo central, mediante um sistema de remuneração previsto contratualmente com o Ministério das Finanças, citando o BAI como empresa do grupo Sonangol.

As operações, acrescenta o estudo, estão concentradas em três bancos, designadamente Banco de Fomento Angola (BFA), BPC e BAI, que possuem, em conjunto, 71 por cento da base de depósitos. O Banco Internacional de Crédito (BIC), inaugurado em meados de 2005, atingiu uma quota de 6,8 por cento no final do mesmo ano.

O estudo sobre a banca nacional concluiu, também, que a taxa de conversão de depósitos em crédito, em 2005, caiu para 37 por cento (contra 41% do ano anterior).

Na África do Sul, acrescentou o estudo, a percentagem de crédito ultrapassa o volume de depósitos de clientes (114%), em Portugal a taxa é de 82 por cento e nos Estados Unidos está em 86 por cento. O Brasil, outro país apontado no Estudo, tem uma taxa de conversão de 57 por cento.

Este é o segundo estudo sobre a banca nacional a publicado este ano. O primeiro, da autoria da consultora KPMG, foi apresentado em Setembro último. (macauhub)

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