Carta Agrícola de São Tomé e Príncipe visa acabar com dependência exclusiva do cacau

18 October 2006

Aveiro, Portugal, 18 Out – A Carta Agrícola de São Tomé e Príncipe, que define as metas da política agrícola do país para os próximos 15 anos, pretende acabar com a monocultura do cacau, afirmou terça-feira em Aveiro um responsável do ministério são-tomense da Economia.

O assessor do ministério, Carlos Pascoal, que se deslocou a Portugal em representação da ministra da Economia, Cristina Dias, para a assinatura de um protocolo com a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos, disse à agência noticiosa portuguesa Lusa que a nova Carta destina-se a fazer uma reforma agrária num país em que 90 por cento da área agrícola é ocupada pelo cacau.

A diversificação das culturas é uma das traves mestras da proposta do Ministério da Economia, que vai a Conselho de Ministros e deverá ser aprovada pela Assembleia Nacional até ao final do ano.

Carlos Pascoal adiantou que “a Carta define a diversidade de culturas alimentares e as potencialidades dos diferentes solos, porque o país tem aptidão agrícola para culturas tão diversas como o tradicional cacau até às flores ornamentais”.

A pimenta, a canela ou a baunilha são algumas das culturas exportáveis que podem vir a ser apoiadas pelo governo, acrescentou, adiantando não fazer sentido “continuar a cultivar o cacau onde o custo de produção é muito elevado”, explicou.

Outro pilar da proposta é o da formação agrária, com Carlos Pascoal a atribuir à falta de formação dos agricultores a quebra da produção de cacau que preocupa o governo, já que se trata do principal produto exportado.

A novidade que o protocolo assinado introduz não é a cooperação com a Escola Profissional de Vagos, que desde há anos acolhe alunos daquele país e que este ano é frequentada por 17 estudantes daquela origem mas sim o envolvimento da escola portuguesa no levantamento das necessidades de formação rural em São Tomé e Príncipe. (macauhub)

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