Pequim convida São Tomé e Príncipe para cimeira sino-africana de chefes de Estado

19 October 2006

Pequim, China, 19 Out – A China anunciou quarta-feira ter convidado São Tomé e Príncipe para participar como observador na cimeira de chefes de Estado e de governo do Fórum de Cooperação Sino-Africano, apesar dos dois países não terem relações diplomáticas.

Os contactos bilaterais entre São Tomé e Príncipe e Pequim são raros, uma vez que o país africano mantém relações diplomáticas com Taiwan, ilha com governo próprio, que reclama a independência da China desde 1949 e que é vista por Pequim como uma província separatista, parte do seu território, a unir com o resto do país.

“Para demonstrar a sinceridade da nossa cooperação em África, países com quem a China não tem relações diplomáticas receberam o convite para participar como observadores”, afirmou Xu Jinghu, directora-geral do Departamento de Assuntos Africanos do MNE chinês.

Xu falava durante a conferência de imprensa de apresentação da cimeira de chefes de Estado e de Governo do Fórum, que decorrerá em Pequim de 3 a 5 de Novembro.

Além de São Tomé e Príncipe, três países africanos reconhecem Taiwan: Burkina-Faso, Gâmbia, Malawi e Suazilândia.

Xu realçou que a cimeira reúne “a China e os países amigos em África ou , por outras palavras, países com que a China tem relações diplomáticas”, mas lembrou que os países que não reconhecem a República Popular foram convidados também para as conferências ministeriais do fórum em Pequim, em 2000, e em Adis Abeba, capital da Etiópia, em 2003.

Em Setembro, e a convite do governo chinês, São Tomé e Príncipe participou também como observador na conferência de ministros da Economia e do Comércio do Fórum Macau, um órgão criado por Pequim, em 2003, como plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, organizado pelo governo da Região Administrativa Especial de Macau.

Na semana passada, atletas de São Tomé e Príncipe estiveram presentes nos primeiros Jogos da Lusofonia, realizados em Macau, que tem autonomia em relação a Pequim na administração interna, mas não em assuntos diplomáticos. (macauhub)

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