Pequim desafia Lisboa a propor projectos de cooperação conjunta em África

19 October 2006

Pequim, China, 19 Out – O governo chinês admitiu quarta-feira estar aberto a propostas portuguesas para acções conjuntas de cooperação em África, entendidas como uma forma positiva de ajuda ao desenvolvimento, de acordo com um alto dirigente do Ministério do Comércio chinês.

Zhou Yabin, Director-Geral do Departamento de Assuntos Africanos e da Ásia Ocidental do Ministério do Comércio, reconheceu que a ajuda chinesa ao desenvolvimento é feita sobretudo de forma bilateral, mas admitiu que as acções de cooperação trilateral, por exemplo Portugal, China e um país africano, são “uma forma nova e positiva de ajuda ao desenvolvimento”.

“Se o governo português fizer uma proposta, será considerada positivamente”, afirmou Zhou, respondendo a uma pergunta do delegado da agência noticiosa portuguesa Lusa sobre a disponibilidade chinesa para acções conjuntas de cooperação em África com países doadores tradicionais.

Zhou, que falava em conferência de imprensa no âmbito do Fórum de Cooperação Sino-Africano (FCSA), cuja cimeira de chefes de Estado e de Governo vai decorrer em Pequim de 03 a 05 de Novembro, não adiantou pormenores sobre eventuais parcerias de cooperação.

Liu Jianchao, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, acrescentou, no entanto, que “alguns países, nomeadamente do Norte da Europa, sugeriram ao governo chinês trabalhar em conjunto em países africanos”.

O FCSA é um grupo de diálogo e cooperação entre a China e os países africanos com os quais Pequim tem relações diplomáticas e 48 deles já confirmaram a presença na cimeira de Novembro, de acordo com o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

Os responsáveis governamentais chineses destacaram na conferência de imprensa a importância das relações comerciais e políticas entre a China e o continente africano.

Segundo Zhou Yabin, quando a China iniciou relações com o Egipto, o primeiro país africano a ter relações diplomáticas com Pequim em 1956, o comércio bilateral sino-africano era da ordem de 12 milhões de dólares, valor que em 2006, segundo Zhou, deverá ultrapassar 50 mil milhões de dólares. (macauhub)

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