Primeiro-ministro da Guiné-Bissau em Portugal para preparar mesa-redonda de Genebra

20 October 2006

Bissau, Guiné-Bissau, 20 Out – O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Aristides Gomes, inicia hoje em Lisboa uma visita de trabalho de preparação da mesa-redonda programada para Novembro em Genebra, Suiça, que o levará também a Madrid, Bruxelas, Paris, Roma e Washington.

As visitas enquadram-se nos esforços de sensibilização para a importância da mesa redonda dos doadores, marcada para 7 e 8 de Novembro próximo, razão pela qual Aristides Gomes terá encontros com os seus congéneres espanhol, francês e italiano, com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e, já em Washington, com as direcções do Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI).

A Guiné- Bissau pretende, com a mesa-redonda, reunir uma verba superior a 400 milhões de dólares para apoiar os projectos contidos no Documento Estratégico Nacional para a Redução da Pobreza (DENARP) e as reformas nos sectores da Defesa e Segurança.

Sobre a missão de sensibilização, Aristides Gomes afirmou aos jornalistas tratar-se de mais uma iniciativa do governo para demonstrar a seriedade com que as autoridades locais têm lidado com a questão, lembrando os esforços nesse sentido feitos já pelo presidente João Bernardo “Nino” Vieira e por vários dos seus ministros.

“Somos um país deficitário. Temos de sanear as Finanças Públicas, consolidar as apostas na Educação e Saúde e construir as infra-estruturas necessárias para o desenvolvimento económico do país, tendo sempre em conta a necessidade de atrair o investimento estrangeiro”, sintetizou.

No entanto, ressalvou, a reforma nos sectores da Defesa e Segurança é “essencial” para o saneamento das Finanças Públicas, iniciativa essa que está já em curso e que prevê, até ao fim do ano, o licenciamento de mais de 500 elementos das Forças Armadas, que serão apoiados financeiramente na sua inserção na vida civil.

Mas além do pedido financeiro aos doadores, Aristides Gomes salientou a intenção do governo em solicitar também o perdão da dívida com diversos países, intenção essa que “ajudaria também muito” no saneamento das Finanças Públicas do país, cujo serviço da dívida absorve grande parte das receitas.

Indicando estarem ainda a decorrer as avaliações do montante quer da dívida externa como da interna, esta ligada aos prejuízos dos empresários devido ao conflito militar de 1998/99, razão pela qual não as quantificou, Aristides Gomes salientou que a conclusão do Orçamento Geral do Estado para 2007 está dependente da mesa-redonda. (macauhub)

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