Pequim rejeita críticas do Banco Mundial sobre empréstimos a países africanos

25 October 2006

Pequim, China, 25 Out – O governo chinês repudiou terça-feira as críticas do presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, que afirmou na imprensa internacional que a ajuda financeira da China a África compromete o desenvolvimento social e a protecção ambiental no continente.

“A China não pode aceitar um comentário que diz que a assistência financeira a África enfraquece a situação dos direitos humanos em África”, afirmou Liu Jianchao, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em conferência de imprensa de rotina, respondendo aos comentários de Wolfowitz publicados no jornal Financial Times.

Os empréstimos dos bancos chineses a África, disse Wolfowitz, ignoram os “Princípios do Equador”, um compromisso voluntário que obriga os projectos de desenvolvimento pagos com financiamento privado a respeitar padrões de conduta social e ambiental.

Paul Wolfowitz manifestou-se ainda preocupado com os empréstimos da China, da Índia e da Venezuela aos países em vias de desenvolvimento, considerando que “existe o risco real de ver países que beneficiaram de perdão de dívidas voltarem a ficar altamente endividados”.

O porta-voz da diplomacia chinesa negou as acusações do presidente do Banco Mundial dizendo que a cooperação entre a China e África “tem sido positiva, na base da igualdade e benefícios mútuos, com o objectivo de promover o desenvolvimento social e económico e melhorar a qualidade de vida dos povos africanos”.

O governo chinês tem vindo a abrir cada vez mais linhas de crédito a países africanos, reflectido o maior interesse estratégico de África para a China, à medida que a economia chinesa busca fontes energéticas (petróleo e gás) alternativas ao Médio Oriente, novas fontes de matérias-primas e tenta abrir novos mercados para os produtos e empresas chinesas.

A capital chinesa recebe entre 03 e 05 de Novembro a cimeira de chefes de estado e de governo do Fórum de Cooperação Sino-Africano (FOCAC, em inglês), com a presença já confirmada dos mais altos representantes de 48 países africanos. (macauhub)

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