Fecho do mercado aéreo prejudica economia de Moçambique

26 October 2006

Maputo, Moçambique, 26 Out – A fraca abertura do mercado de transporte aéreo de Moçambique e Angola impedirá os dois países de retirarem benefícios do Campeonato Mundial de 2010 na África do Sul, alerta um estudo encomendado por uma firma sul-africana.

A pesquisa, com o título “Céus Livres sobre a África Austral”, foi elaborada pela Genesis Analythics para a ComMark Trust, da África do Sul.

De acordo com o estudo, os governos de Moçambique e Angola estão a inibir o crescimento dos respectivos sectores de transporte aéreo e do turismo, ao restringirem a entrada de mais operadores privados no seu espaço.

O estudo critica igualmente os preços praticados pelas operadoras nacionais dos dois países, principalmente nas ligações aéreas com o país anfitrião do Mundial 2010.

A título de exemplo, o estudo refere que a viagem de Maputo a Joanesburgo, a capital económica sul-africana, é 163 por cento mais cara que a de Joanesburgo à cidade portuária de Durban, África do Sul, apesar de ambos os trajectos durarem uma hora.

“O preço do bilhete de avião Maputo-Johanesburgo é alto, devido ao monopólio atribuído neste percurso às companhias estatais dos dois países, as Linhas Aéreas de Moçambique e a South African Airways”, acusa o documento.

“Os cálculos da pesquisa demonstram que os Estados da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) estão a pagar caro pelos obstáculos que colocam no seu mercado de transporte aéreo”, salienta a Genesis Analythics.

Caso a rota Maputo-Johanesburgo fosse liberalizada, com a consequente baixa de preços de avião, a entrada de turistas em Moçambique iria aumentar 37 por cento e seriam criados três mil empregos.

O estudo refere que a intenção do governo moçambicano de liberalizar o mercado de transporte aéreo é travado por “lobbies” instalados no sector da aviação do país. (macauhub)

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