Parceira estratégica é prioridade nas relações luso-chinesas, afirma embaixador português cessante

27 October 2006

Pequim, China, 27 Out – O embaixador de Portugal na China, António Santana Carlos, que hoje abandona o cargo, afirmou que a prioridade imediata nas relações entre os dois países é a implementação da parceria estratégica assinada em Dezembro de 2005.

António Santana Carlos, que abandona Pequim para assumir o posto de embaixador no Reino Unido e é substituído no sábado por Rui Quartin Santos, disse à agência noticiosa portuguesa Lusa, numa entrevista de balanço dos quatro anos que exerceu funções na China, que “em termos políticos, o mais importante é aplicar as disposições da declaração conjunta que define a parceria estratégica entre Portugal e a China”.

Quanto aos passados quatro anos, para além da assinatura do acordo de parceria estratégica, o embaixador português cessante realçou como momentos mais importantes, ao nível político, as visitas do então Presidente da República Jorge Sampaio à China, no início de 2005 e, nesse mesmo ano, a visita oficial do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao a Portugal.

Na área económica, Santana Carlos destacou como marcos dos últimos quatro anos a inauguração em Setembro passado do consulado-geral de Portugal em Xangai (capital económica e financeira da China) que tem uma vocação sobretudo na área da economia, numa região que o embaixador considerou ser “a mais dinâmica da China”.

“Em termos económicos, houve também progressos e entre 2003 e 2005 as nossas exportações para a China quadruplicaram, de 82 milhões de euros em 2002 para 324 milhões de euros em 2005, um salto bastante importante, embora devamos fazer mais”, afirmou António Santana Carlos.

“Há que fazer esforços acrescidos para apoiar as pequenas e médias empresas portuguesas que procuram o mercado chinês,” disse o embaixador, acrescentando que, “nos contactos que os empresários portugueses mantenham com as autoridades chinesas, contarão sempre com o apoio institucional e diplomático da embaixada portuguesa, do consulado-geral em Xangai e, no caso do sul da China, da delegação do Icep em Macau”.

António Santana Carlos, que foi na década de 90 o líder da missão portuguesa ao Grupo de Ligação Conjunto Luso-Chinês – que assegurou as negociações da transferência de administração de Macau para a China – termina agora uma década de relações diplomáticas com a República Popular da China.

Santana Carlos é substituído no posto por Rui Quartim Santos, até há pouco secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros e antigo embaixador em Timor- Leste. (macauhub)

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