Presidente de Moçambique quer que empresários portugueses invistam no seu país

1 November 2006

Maputo, Moçambique, 01 Nov – O presidente de Moçambique, Armando Guebuza, apelou terça-feira ao primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, para que mobilize os empresários portugueses para investirem no seu país.

Guebuza falava durante um banquete oferecido a José Sócrates, que efectuou uma visita de 10 horas a Moçambique para assinar o acordo de alteração da estrutura accionista da Hidroeléctrica de Cahora-Bassa.

Nos termos do acordo, Portugal passa de uma posição maioritária de 82 por cento para uma minoritária de 15 por cento com o Estado moçambicano a assumir o controlo da empresa com 85 por cento do capital social.

Na mesma ocasião, Armando Guebuza prometeu ao primeiro-ministro português apoio para que se realize a segunda cimeira África-Europa, agendada para Lisboa.

O presidente moçambicano manifestou o desejo de ver reforçada a cooperação do seu país com Portugal, destacando o papel do executivo de Lisboa, que irá assumir, no próximo ano, a presidência rotativa da União Europeia.

O primeiro-ministro português manifestou a sua “total disponibilidade em participar no desenvolvimento de Moçambique”, assinalando a pertinência de se criar uma estratégia conjunta entre União Europeia e África.

Antes, os dois governantes assinaram o acordo no salão nobre do Conselho Municipal de Maputo com Armando Guebuza a afirmar tratar-se de um acto que simboliza o rompimento com o passado e o início de uma nova era nas relações entre os dois países.

O director nacional de Energia de Moçambique, Pascoal Bacelar, afirmou à agência noticiosa portuguesa que a composição do Conselho de Administração da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) só será alterada quando Moçambique pagar a soma de 950 milhões de dólares acordada com Portugal.

“A transferência efectiva da HCB será feita mediante o pagamento da dívida de Moçambique a Portugal”, resultante da construção e manutenção daquele empreendimento, disse Pascoal Bacelar.

Actualmente, Portugal detém três dos cinco lugares da administração da barragem, cuja presidência é liderada por Joaquim Silva Correia, nomeado pelo governo português.

O acordo, assinado em Maputo pelos dois países, prevê que Portugal mantenha dois administradores na empresa, assim como o presidente da mesa da Assembleia-Geral e da Comissão de Fiscalização, durante quatro anos.

Após esse período, se Portugal mantiver a posição de 15 por cento com que fica após o acordo, continuará a ter dois administradores e, se reduzir a posição para 10 por cento, permanecerá um administrador. (macauhub)

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