Programa Alimentar Mundial reduz assistência em Moçambique por falta de fundos

13 November 2006

Maputo, Moçambique, 13 Nov – Uma quebra de mais de 70 por cento no financiamento forçou o Programa Alimentar Mundial (PAM) a cortar as rações dos moçambicanos necessitados no momento em que as colheitas ainda estão distantes.

A agência das Nações Unidas necessita de 10 milhões de dólares para alimentar 460 mil pessoas até Março de 2007, data da próxima colheita.

O PAM presta actualmente assistência directa a 292 mil pessoas vulneráveis mas a quebra de 77 por cento no financiamento obriga ao corte de pelo menos metade das rações constituídas por uma mistura de milho e soja.

Paulo Zacula, director do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), manifestou-se muito preocupado uma vez que, disse, não estamos a falar de pequenos números mas sim de quase 300 mil pessoas sem segurança alimentar.

Zacula disse ainda que as pessoas necessitadas vivem em zonas áridas onde não é possível semear e acrescentou que o país vai agora iniciar a época dos ciclones e das cheias, o que agrava ainda mais a situação.

Karin Manente, directora em exercício do PAM em Moçambique, disse que nesta altura já devia haver alimentos armazenados nas áreas que ficam inacessíveis durante emergências mas, devido à falta de fundos, algumas actividades terão ser suspensas enquanto não houver novas doações.

Uma das razões para a quebra das doações tem a ver, em parte, com o facto de Moçambique ter tido boas colheitas este ano.

Dados provisórios indicam que o país produziu este ano 2,3 milhões de toneladas de cereais, incluíndo os stocks armazenados, contra um consumo nacional estimado em 2,6 milhões de toneladas.

“Embora tenhamos reduzido as nossas actividades, há bolsas de insegurança alimentar e continuamos a apelar aos doadores para que nos apoiem”, disse Manente. (macauhub)

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