Mais informação sobre a China é preciso, defendem jornalistas brasileiros

28 November 2006

Macau, China, 28 Nov – As pessoas que lêem jornais brasileiros não têm a sensação de que a China é actualmente o segundo maior parceiro comercial do Brasil, afirmou Jaime Spitzcovsky, antigo correspondente do jornal Folha de São Paulo na China, à revista Macau.

Em artigo intitulado “Imprensa quer saber mais sobre a China”, da autoria de Marco Antinossi, Spitzcovsky adianta que os empresários e formadores de opinião brasileiros precisam conhecer mais a realidade chinesa e, para isso, os media são fundamentais.

“Infelizmente, os media brasileiros não estão a cumprir adequadamente o seu papel”, afirma o jornalista, que adianta lamentar a tímida presença chinesa na imprensa brasileira.

Jaime Spitzcovsky realça igualmente o facto de as agências noticiosas praticamente não se preocuparem com os laços bilaterais entre a China e o Brasil.

“Apenas jornalistas brasileiros ou de língua portuguesa é que têm sensibilidade e interesse em cobrir o avanço do relacionamento entre Brasil e China nos campos comercial, político e cultural”, frisa o jornalista.

No seu texto, Marco Antinossi afirma que apesar do grande incremento nas relações comerciais, a China ocupa comparativamente pouco espaço nos media brasileiros que buscam agora novas fontes de informação, para além das divulgadas pelas agências internacionais de notícias.

Embora haja interesse noutras fontes de informação, os custos levaram, por exemplo, a Folha de São Paulo, o jornal brasileiro de maior tiragem, a mandar regressar a sua correspondente em Pequim e Eduardo Salgado, editor de Política Internacional do Estado de São Paulo, a afirmar que até ao momento a avaliação no jornal é a de que não vale a pena ter um correspondente na China.

Mas o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Luiz Fernando Furlan, afirmou que a curto prazo a procura por informação sobre a China aumentará à semelhança do que aconteu com as relações económicas comerciais bilaterais.

Para dar um empurrão no bom sentido, a Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Económico (CBCDE) criou em Maio de 2004 um prémio de jornalismo a fim de estimular os órgãos de comunicação social a publicarem reportagens sobre a China.

A primeira edição teve a participação de 147 trabalhos, o que surpreendeu o presidente da CBCDE, Paul Liu.

A próxima edição do prémio decorrerá em 2007, sendo o prémio para os autores das melhores reportagens uma visita a Pequim por ocasião dos Jogos Olímpicos de 2008. (macauhub)

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