Metade do dinheiro depositado na banca está parado, afirma vice-governador do banco central de Angola

30 November 2006

Luanda, Angola, 30 Nov – A taxa de conversão dos depósitos bancários em créditos em Angola é muito baixa pelo que muito do dinheiro depositado permanece parado na banca, afirmou quarta-feira em Luanda o vice-governador do Banco Nacional de Angola.

Rui Miguêns, que falava num seminário sobre o desenvolvimento do sector bancário em Angola, salientou que, em finais de Junho, os bancos que operam no país tinham depósitos de 6,8 mil milhões de dólares, dos quais apenas 1,8 mil milhões de dólares foram convertidos em crédito, o que equivale a cerca de 35 por cento.

Para o vice-governador do banco central, tal significa que “metade do dinheiro que deveria ser utilizado para investimentos está parado nos bancos”, já que os restantes 15 por cento constituem a reserva que as instituições bancárias são obrigadas a ter no banco central.

Esta situação, diz, condiciona o desenvolvimento da economia angolana, atendendo a que o valor de crédito atribuído representa apenas cerca de cinco por cento do total da riqueza produzida no país.

Na sua intervenção, o vice-governador do banco central angolano manifestou também preocupação relativamente à distribuição dos créditos concedidos pelas instituições bancárias.

Os dados oficiais indicam que 67 por cento dos créditos concedidos foram destinados a particulares e 11 por cento ao comércio, enquanto sectores importantes da economia nacional registaram percentagens muito reduzidas.

O sector da construção recebeu cinco por cento, a indústria extractiva três por cento, a indúst ria transformadora dois por cento e a agricultura apenas um por cento, a mesma percentagem que receberam em conjunto os sectores da saúde, educação e acção social.

O sector bancário angolano tem vindo a registar um crescimento acentuado nos últimos quatro anos, período em que o número de bancos aumento de 8 para os actuais 15.

Em todo o país existem actualmente 233 balcões bancários a funcionar, assegurando este sector mais de 4.300 postos de trabalho. (macauhub)

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