Banca em Moçambique teve crescimento “dramático” em 2005, KPMG

3 December 2006

Maputo, Moçambique, 04 Dez – Os bancos moçambicanos aumentaram os seus lucros em 2005 de uma forma “dramática”, de acordo com um inquérito ao sector bancário, sexta-feira divulgado em Maputo.

O inquérito, realizado pela empresa de consultoria KPMG em parceria com a Associação Moçambicana de Bancos, revelou que os lucros da banca cresceram 64 por cento – de 572,76 mil milhões de meticais em 2004 para 940,58 mil milhões em 2005.

Os resultados operacionais cresceram 47 por cento em termos nominais e 33 por cento em termos reais uma vez descontada os 14 por cento de taxa de inflação registada no ano passado.

O banco mais lucrativo foi o Standard Bank com um ROE (resultado líquido a dividir pelo capital social) de 32,8 por cento, seguido do maior banco do país, o Banco Internacional de Moçambique (BIM), com 25 por cento.

Em termos de resultados líquidos, o BIM ficou na primeira posição com 343,577 mil milhões de meticais e dos nove bancos comerciais em actividade, apenas dois dos mais pequenos – Banco Mercantil e de Investimento (BMI) e o Banco Internacional de Comércio (BIC) apresentaram resultados negativos em 2005.

Os depósitos cresceram 30 por cento em 2005 atingindo o montante de 41,588 biliões de meticais com o inquérito a justificar este crescimento com um aumento de 22 por cento na massa monetária e com a depreciação do metical contra o dólar e outras grandes moedas.

O BIM permaneceu o líder do mercado por uma grande margem – os seus activos de 20,097 biliões de meticais eram praticamente o dobro do mais próximo rival, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) com 11,001 biliões de meticais.

Além disso, o BIM tinha 17,717 biliões de meticais em depósitos – mais do que o dobro do BCI que apenas tinha 8,739 biliões de meticais.

Por outro lado, o BIM concede quase tanto crédito como os outros oito bancos comerciais em conjunto – os empréstimos concedidos pelo banco em 2005 ascenderam a 8,837 biliões de meticais contra 5,577 biliões emprestados pelo BCI e 1,1763 biliões de meticais pelo Standard Bank.

O documento da KPMG afirma que a qualidade dos empréstimos melhorou substancialmente depois de um grande esforço efectuado pela banca para recuperar crédito mal-parado e para riscar dos livros os créditos irrecuperáveis.

A proporção de crédito mal-parado no sistema reduziu-se em metade tendo caído de 6,06 por cento do crédito total em 2004 para 3,03 por cento em 2005.

O crescimento aparentemente saudável do sector bancário cresceu mas não fora das grandes cidades onde a presença bancária é praticamernte nula.

O número total de agências bancárias cresceu apenas quatro unidades – de 193 para 197 – mesmo assim significativamente menos do que as 249 dependências bancárias que existiam em 1995 de acordo com dados do Banco de Moçambique.

Em 2005 assistiu-se a um crescimento importante no número de ATM, que passou de 292 em 2004 para 344 em 2005, sendo a maior parte propriedade do BIM que dispõe de 192 caixas automáticos.

O inquérito da KPMG afirma que o banco mais eficiente de Moçambique foi em 2005 o Banco de Desenvolvimento e Comércio (BDC) com um rácio de eficiência de 55,89 por cento mas que apenas dispõe de cinco agências e 68 trabalhadores. (macauhub)

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