Brasil exporta 36 por cento dos produtos constantes da lista de importações da China

9 January 2007

São Paulo, Brasil, 09 Jan – A lista de exportações brasileiras contém 36 por cento dos produtos que são importados pela China, afirma um estudo da Comissão Económica para a América Latina e as Caraíbas (Cepal), um organismo das Nações Unidas.

A percentagem referida não implica a existência do comércio de todos os produtos que constam nos dois conjuntos (exportações brasileiras e importações chinesas), mas evidencia um potencial de comércio entre Brasil e China, diz a Cepal, órgão das Nações Unidas que conduz estudos e projectos de desenvolvimento económico e social na sua zona de influência.

O documento indica ainda que, apesar dessa amplitude do potencial de comércio, as exportações do Brasil para a China estão concentrados em cinco produtos. Em 2005, cerca de 75 por cento das vendas brasileiras para o mercado chinês foram de soja, minério de ferro, aço, óleo de soja e madeira.

O estudo, intitulado “Anjo ou Demónio? Os efeitos do comércio chinês nos países da América Latina”, considera o índice de coincidência de 36 por cento entre o Brasil e a China como uma oportunidade de curto prazo e sugere que os brasileiros e demais latino-americanos aproveitem a “vigorosa procura chinesa”.

Os autores do estudo alertam, no entanto, que no curto prazo o avanço da economia chinesa pode representar um custo para os países da América Latina. Como exemplo, citam a concorrência comercial entre latino-americanos e chineses no mercado dos Estados Unidos.

O documento ressalta, porém, que, no caso do Brasil, a concorrência com a China nos EUA — o maior parceiro comercial brasileiro — é reduzida: apenas um quarto dos produtos da lista brasileira de exportações para os EUA coincide com a lista chinesa para o mesmo mercado.

O estudo levou em conta dados das exportações e importações chinesas e de 34 países, sendo 15 latino-americanos, entre 1998 e 2004, contidos na base de dados da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). (macauhub)

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