“Nova fase” nas relações com os países lusófonos, diz análise da Agência Nova China

15 January 2007

Pequim, China, 15 Jan – As relações entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP) entraram numa nova fase com o aumento da influência chinesa no mundo, considera a agência noticiosa oficial chinesa Nova China em atigo de análise.

No artigo publicado, e que exclui Portugal, a agência noticiosa estatal chinesa considera que em 2006 as relações de cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP) “desenvolveram-se rapidamente” e que o relacionamento “pragmático, estável e duradouro entrou numa fase nova.”

“Esta situação deve-se principalmente ao consenso em desenvolver laços de cooperação benéfica para todos, à medida que a posição económica chinesa no mundo se fortalece e que aumenta o desejo dos PLP de desenvolver relações económicas e comerciais com a China”, refere a Nova China.

A agência noticiosa garante que o sector do turismo será “um ponto brilhante na cooperação bilateral” pois os PLP, afirma a Nova China, “mostraram forte desejo de ser destinos turísticos do mercado chinês, conhecendo o poder de consumo dos chineses.”

No passado mês de Novembro, durante o Fórum de Cooperação China-África, dos nove países que a China acrescentou à sua lista de países de destino de turismo aprovado, aqueles a que Pequim permite que os seus cidadãos façam visitas de grupo sem necessidade de autorização de saída, dois deles, Moçambique e Cabo Verde, são PLP.

A Nova China destaca ainda na sua análise a Região do Delta do Rio das Pérolas como uma das regiões chinesas privilegiadas nas relações com os países de expressão portuguesa, realçado declarações do presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, Lee Peng Hong, onde o responsável manifesta o desejo de ajudar as empresas da China continental a competir nos mercados dos PLP.

“As regiões central e oeste da China também esperam fazer acordos de cooperação com os PLP”, continua a análise da Nova China, que lembra as declarações da vice-primeira-ministra chinesa Wu Yi, a “dama de ferro” da China que, em Setembro de 2006, convidou os países de expressão portuguesa a investir no centro do país.

A maior dificuldade para o relacionamento económico e comercial entre a China e os PLP prende-se, segundo a agência noticiosa oficial chinesa, com as desigualdades económicas no bloco económico de língua portuguesa.

“A cooperação bilateral ainda enfrenta algumas dificuldades…devido à diferença da estrutura económica e do grau de desenvolvimento entre os PLP,” refere a análise, que acrescenta que para além do Brasil, “quase todos os outros PLP têm uma economia subdesenvolvida.”

“Portanto, os produtos que destinam à China são principalmente matérias-primas e produtos primários, faltando no comércio bilateral os produtos industrializados de alta tecnologia e de alto valor acrescentado. Algumas pequenas e médias empresas nesses países estão muito preocupadas com a competitividade de seus próprios produtos no mercado chinês”, acrescenta.

Segundo dados oficiais chineses, o comércio com o Brasil e com Angola representa mais de 85 por cento do total do comércio entre a China e os PLP.

Sublinhado existir “um amplo espaço para a cooperação” entre a China e os países de língua portuguesa, a ag6ancia noticiosa chinesa dá como exemplos o sector das pescas, “porque os PLP têm longas costas e abundantes recursos e a China tem um enorme mercado de consumo.”

“Na agricultura, as perspectivas de cooperação bilateral também são optimistas, pois os PLP gozam de boas condições naturais para desenvolver a agricultura, tendo experiências na área de cultivos, e a China domina tecnologias avançadas na criação de novas variedades, plantio e processamento de produtos”, refere a agência chinesa, que lembra ainda que, na área de construção de infra-estruturas, os PLP africanos necessitam de ajuda financeira e tecnologia, enquanto as empresas chinesas têm forte experiências nesse terreno.

A Nova China refere também que o comércio da China com os Países de Língua Portuguesa, excluindo Portugal, atingiu 35 mil milhões de dólares em 2006, mais 51 por cento do que em 2005.

No primeiro semestre de 2006, as exportações chinesas para os PLP aumentaram 60 por cento em relação ao mesmo período de 2005, enquanto as vendas dos PLP para a China subiram 70 por cento, referiu a agência noticiosa oficial chinesa Nova China, que cita dados oficiais sem, no entanto, especificar a origem dos valores.

Nos primeiros seis meses de 2006, os investimentos chineses nos PLP superaram o investimento total de 2005, adianta a agência noticiosa.(macauhub)

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