Presidente da China vai anunciar perdão da dívida bilateral de Moçambique

1 February 2007

Maputo, Moçambique, 01 Fev – O presidente da China, Hu Jintao, vai anunciar o perdão da dívida bilateral de Moçambique por ocasião da sua visita oficial, afirmou quarta-feira em Maputo o director do Tesouro de Moçambique, António Laíce.

Falando à agência noticiosa portuguesa Lusa, Laíce adiantou que o governo da China enviou uma proposta de acordo de cancelamento da dívida externa bilateral estabelecendo o perdão de 95 por cento da mesma e o reescalonamento dos restantes 5 por cento.

Na passada segunda-feira, as autoridades chinesas anunciaram o perdão da dívida bilateral de 33 países africanos mas sem referir quais os Estados beneficiários.

Durante a visita a Moçambique, dias 8 e 9 de Fevereiro, Hu Jintao poderá anunciar ainda novos planos de ajuda ao país e assinar diversos acordos de cooperação económica e comercial, além da inaugurar um Centro Especial de Demonstração de Tecnologia Agrícola, parte dos dez que o Governo de Pequim irá construir em África.

Desde que assumiu o poder, em 2003, Hu Jintao já se deslocou três vezes a África, sendo este o segundo périplo que realiza em menos de um ano.

A deslocação actual, que teve início terça-feira e termina a 10 de Fevereiro, inclui ainda os Camarões, Libéria, Sudão, Zâmbia, Namíbia, África do Sul e Seychelles.

Os interesses estratégicos chineses em África, o continente com o maior número de países, prendem-se com o facto de Pequim encarar as nações africanas como grandes aliados comerciais, políticos e diplomáticos, em especial nas organizações multilaterais.

A aproximação entre a China e África ficou patente no início de Novembro de 2006, na primeira cimeira de líderes do Fórum de Cooperação Sino-Africana ( FOCAC, na sigla em inglês), que reuniu em Pequim 48 chefes de Estado e Governo de países africanos, entre os quais se encontram dos maiores fornecedores de petróleo da China, como Angola – o maior – o Sudão e a Nigéria.

Na ocasião, Hu Jintao prometeu que a China duplicará até 2010 as trocas comerciais com os países de África e que nos próximos três anos concederá empréstimos e abrirá linhas de crédito à exportação avaliadas em cinco mil milhões de dólares. (macauhub)

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