Agronegócio, aviação e turismo áreas promissoras nas relações do Brasil com a China diz embaixador Castro Neves

7 February 2007

Rio de Janeiro, Brasil, 07 Fev – O embaixador do Brasil na China, Luiz Augusto Castro Neves, disse no Rio de Janeiro que o agronegócio, a aviação regional e o turismo são áreas promissoras na relação do Brasil com a China.

O diplomata brasileiro falava durante uma palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro subordinada ao tema “A China e seu impacto no cenário internacional e em especial no Brasil”.

Para Castro Neves, a questão-chave com que actualmente se defronta o Brasil no relacionamento com a China não decorre da pauta do comércio bilateral, mas de uma perspectiva mais estrutural.

“Torna-se imperativo uma avaliação cuidadosa de como devem evoluir a economia e o comércio exterior chinês nos próximos anos como risco e oportunidade”, disse o diplomata.

O embaixador destacou ainda que “a mais recente ambição chinesa é o sector de automóveis de passeio e utilitários leves, tendo produzido 7 milhões de veículos em 2006, ultrapassando o Japão.

Uma de suas maiores empresas, a Chery, investiu 100 milhões de dólares na construção de uma unidade produtora em Montevidéu, pretende começar a exportar para o Mercosul em 2007 e já pensa numa segunda unidade, no Brasil ou na Argentina.

Castro Neves recordou que dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento revelaram que a quota de mercado da China nas importações de bens manufaturados pela América Latina passou de 0,7 por cento em 1990 para 7,8 por cento em 2004, superando a participação brasileira, que subiu de 5,3 para 6,5 por cento no mesmo período.

O embaixador lembrou que “também em África, mercado onde a presença brasileira está a crescer, a concorrência chinesa também aumentará e não só no comércio de bens”.

“Com tudo isso, entretanto, não faltam oportunidades a serem exploradas pelo Brasil em termos comerciais e de investimentos com a China”, disse o diplomata.

Castro Neves lembrou que o Brasil já exporta matérias-primas em estado bruto “mas poderíamos fazer mais, incorporando ao consumo básico recursos como água e energia, particularmente biocombustíveis”.

Na sua intervenção, a que a macauhub teve hoje acesso, o embaixador Castro Neves destacou que as exportações do Brasil para a China quadruplicaram nos últimos cinco anos, tendo ultrapassado a marca de 8 mil milhões de dólares em 2006, contra 1,9 mil milhões de dólares em 2001.

“Os três principais artigos exportados são: soja em grãos, minério de ferro e petróleo que somaram 5,2 mil milhões de dólares em 2006. As importações brasileiras provenientes da China também cresceram aceleradamente, passando de 1,3 mil milhões em 2001 para 5,3 mil milhões em 2005”, concluiu. (macauhub)

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