Japão e Portugal vão apoiar reabilitação da Ilha de Moçambique

7 February 2007

Maputo, Moçambique, 07 Fev – O Japão e Portugal vão apoiar o governo de Moçambique a inverter a actual degradação da ilha de Moçambique, património mundial da humanidade, foi terça-feira anunciado em Maputo.

No decurso de um seminário internacional de dois dias sobre a gestão do património da ilha, os participantes aprovaram um plano de acção que, de acordo com a directora nacional adjunta da Cultura, Solange Macamo, “contém tarefas urgentes para o resgate da situação de degradação em que se encontra a Ilha de Moçambique”.

A reabilitação da Fortaleza de São Sebastião, a principal da ilha, e a construção de uma Aldeia do Milénio, para o realojamento de parte dos 43 mil habitantes da ilha, são algumas das acções urgentes previstas no referido plano de acção, afirmou Macamo.

As obras da Fortaleza de São Sebastião, avaliadas em 1,6 milhões de dólares, serão custeadas pelo Governo japonês, enquanto a construção da “Vila Milénio” do Lumbo, no distrito de Nampula (norte), deverá ser paga por Portugal.

A decisão final sobre o apoio português só será formalizada num encontro a decorrer hoje na capital moçambicana entre o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação português e o ministro moçambicano da Ciência e Tecnologia, Venâncio Massingue.

“Se houver interesse [por parte das autoridades moçambicanas] podem contar com o nosso apoio”, referiu João Cravinho.

Cada projecto de “Vila Milénio” tem um custo anual estimado de 300 mil dólares, durante cinco anos, e envolve o apoio à construção de infra-estruturas, actividade económica e educação, entre outros sectores.

Esta “intervenção integrada” visa impedir o fracasso de iniciativas análogas realizadas no passado, quando as populações deslocadas acabaram sempre por regressar à ilha.

A criação de “Vilas Milénio”, enquadrada nos objectivos de desenvolvimento do milénio fixados pelas Nações Unidas em 2000, visa dotar povoações pobres de instrumentos que lhes permitam sair da situação de pobreza extrema em que se encontram e desenvolverem-se por si próprias, da base para o topo.

A Ilha de Moçambique, Património Mundial da Humanidade desde 1991, tem-se debatido com um problema de degradação do seu património histórico classificado pela UNESCO, a que acresce o do excesso de população.

Com apenas três quilómetros de comprimento e 300 a 400 metros de largura, a ilha acolhe quase 43 mil habitantes, de acordo com o último censo, realizado em 1997.

No seminário de dois dias, os participantes aprovaram ainda o Plano Director de Desenvolvimento Integrado da Ilha, através do qual serão implementadas melhorias em todos os campos.

“Os problemas da Ilha não se prendem só com a degradação das fortalezas, pois há também aspectos relacionados com a situação dos habitantes da área, como a água, saúde, educação e saneamento, que estão acautelados no plano director”, enfatizou a directora nacional adjunta da Cultura de Moçambique.

A Ilha de Moçambique é um dos principais marcos da presença colonial portuguesa em Moçambique, com um vasto património arquitectónico, destacando-se a Fortaleza de S. Sebastião, a maior da África Austral, a Torre de S. Gabriel, construída em 1507, ou a Capela da Nossa Senhora do Baluarte, de 1522. (macauhub)

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