Portugal apoia requalificação de Parque da Gorongosa, em Moçambique

8 February 2007

Maputo, Moçambique, 08 Fev – Portugal vai apoiar um projecto para proteger e restaurar o ecossistema do Parque Nacional da Gorongosa e desenvolver uma indústria de ecoturismo, afirmou quarta-feira em Maputo o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Portugal.

O projecto consta do próximo Programa Indicativo da Cooperação (PIC) entre Portugal e Moçambique para o triénio 2007-2009, cujo memorando de entendimento foi quarta-feira assinado por João Cravinho e e pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Henrique Banze.

Falando à agência noticiosa portuguesa Lusa, o secretário de Estado adiantou que o Parque Nacional da Gorongosa foi escolhido para integrar a cooperação entre Lisboa e Maputo no próximo triénio pelo “impacto de desenvolvimento muito grande” que pode ter.

Já em 2007, a participação de Portugal neste projecto terá um custo estimado de 250 mil euros, valor que pode oscilar dependendo da capacidade de absorção das verbas disponíveis ou do acréscimo de novas valências.

O acordo de cooperação contempla ainda o co-financiamento por Portugal da criação de uma “Vila Milénio” no Lumbo, no distrito de Nampula (norte), que permitirá atrair parte dos actuais 43 mil habitantes da vizinha Ilha de Moçambique, que enfrenta graves problemas de população excessiva.

A criação de “Vilas Milénio”, enquadrada nos objectivos de desenvolvimento do milénio fixados pelas Nações Unidas em 2000, visa dotar povoações pobres de instrumentos que lhes permitam sair da situação de pobreza extrema em que se encontram e desenvolverem-se por si próprias, da base para o topo.

Cada projecto de “Vila Milénio” tem um custo anual estimado de 300 mil dólares, durante cinco anos, e envolve o apoio à construção de infra-estruturas, actividade económica e educação, entre outros sectores.

Esta “intervenção integrada” visa impedir o fracasso de iniciativas análogas realizadas no passado, quando as populações deslocadas acabaram sempre por regressar à ilha.

A Ilha de Moçambique, Património Mundial da Humanidade desde 1991, tem-se debatido com um problema de degradação do seu património histórico classificado pela UNESCO, a que acresce o do excesso de população.

Com apenas três quilómetros de comprimento e 300 a 400 metros de largura, a ilha acolhe quase 43 mil habitantes, de acordo com o último censo, realizado em já 1997. (macauhub)

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