Pequim desvaloriza fim de parceria entre Sonangol e Sinopec

9 March 2007

Pequim, China, 09 Mar – O governo chinês desvalorizou hoje a ruptura das negociações entre a petrolífera estatal angolana Sonangol e a sua congénere chinesa Sinopec para a construção conjunta da refinaria do Lobito, afirmando que são consequências do funcionamento do mercado.

“Alguns casos [de cooperação económica internacional] são bem sucedidos , outros não”, disse hoje o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Qin Gang, na habitual conferência de imprensa de rotina.

Qin comentava o anúncio da Sonangol, feito na terça-feira, de que vai construir sozinha a refinaria do Lobito, no centro de Angola, um projecto avaliado em 3,7 mil milhões de dólares, após terem falhado as negociações com a Sinopec.

O falhanço do negócio é o primeiro grande desaire de uma empresa petrolífera chinesa em África, após Pequim ter investido tempo, dinheiro e esforços diplomáticos na sua relação com África em geral e em Angola em particular, para assegurar o acesso seguro e preferencial aos recursos naturais e energéticos do continente, que a China necessita para alimentar o rápido crescimento económico.

O porta-voz não respondeu a uma pergunta sobre as consequências para a China do falhanço do negócio com a Sonangol, que os analistas consideram poder ameaçar a estratégia chinesa de cooperação energética em África.

Zhao Qing, do Departamento Internacional da Sinopec, responsável pelas parcerias da empresa, disse à agência noticiosa portuguesa Lusa em Pequim não ter ainda conhecimento do fim das negociações com a Sonangol.

Recentemente, numa conferência de imprensa em Luanda, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol afirmou que as negociações decorreram até Janeiro mas que caíram depois num impasse devido à falta de acordo quanto ao que produzir na refinaria.

“Não podemos fazer uma refinaria só para fazer produtos para a China”, disse Manuel Vicente, citado pelo jornal angolano “Semanário Angolense”.

Em Junho de 2006, numa oferta superior a dois mil milhões de dólares, a Sinopec, maior petrolífera da Ásia em capacidade de refinaria, comprou participações em três blocos de exploração petrolífera “off-shore” angolanos, com um total de reservas provadas de 3.200 milhões de barris, para explorar em conjunto com a Sonangol, numa “joint-venture” na qual a petrolífera chinesa detém 75 por cento.

A China, através do seu Banco de Exportações e importações concedeu a Angola, nos três últimos anos, empréstimos de 4,4 mil milhões de dólares, a serem pagos em barris de petróleo. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH