Angola afirma influência no Golfo da Guiné liderando comissão regional

9 April 2007

Luanda, Angola, 09 Abr – Angola está a apostar na afirmação da sua influência económica e política no Golfo da Guiné, para o que tem vindo a estreitar laços com São Tomé e Príncipe e a liderar o processo de reactivação do organismo de cooperação económica regional, a Comissão do Golfo da Guiné (CGG).

No final de Março, São Tomé e Príncipe recebeu a visita de uma delegação de empresários angolanos, nomeadamente da banca e turismo, com o objectivo declarado de “avaliar eventuais investimentos” no arquipélago, que se mostra disponível para parcerias entre empresas dos dois países no sector das infra-estruturas e da agricultura.

Já na semana passada, os dois países fizeram saber que o programa de cooperação bilateral, em negociação, terá o seu fulcro no apoio à formação de quadros no arquipélago, nomeadamente nos sectores financeiro e jurídico.

No sector petrolífero, a agência nacional de petróleo de São Tome e Príncipe assinou recentemente um memorando de entendimento com a petrolífera estatal angolana, a Sonangol, tendo em vista abrir caminho a uma parceria entre as duas partes.

Mas a “lança” do investimento angolano em São Tomé é ainda aguardada e deverá surgir na forma de uma parceria que desde o início do ano vem sendo negociada entre a nova companhia aérea do arquipélago, a STP Airways, que substituiu a desaparecida Air São Tomé, e a angolana TAAG.

A companhia aérea angolana, controlada pelo Estado, já opera, em nome da STP Airways, a rota entre São Tomé e Lisboa, partindo de Luanda, tendo assim garantido mais um voo na concorrida e reconhecidamente rentável ligação aérea entre as capitais de Portugal e Angola.

Operação idêntica deverá passar a TAAG a assegurar em breve também a partir da capital da Guiné-Bissau, tendo o ministro dos transportes guineense admitido recentemente que estão num estado “avançado” as negociações de parceria entre a TAAG e a Air Bissau, que pelos acordos aéreos com Portugal dispõe de uma ligação a Lisboa.

A “newsletter” Africa Monitor salientava na semana passada que a principal demonstração de interesse já dada por Luanda em relação aos países da costa ocidental africana e, em particular, ao Golfo da Guiné, importante região produtora de petróleo, foi dada com a aposta na reactivação da Comissão do Golfo da Guiné.

Luanda, que vai passar a albergar a sede da organização, vocacionada para a cooperação económica, desenvolvimento e segurança, terá tido, de acordo com a mesma publicação, um papel fundamental na escolha do novo secretário-executivo – o são-tomense Carlos Gomes, antigo director executivo da autoridade da zona de desenvolvimento conjunto de petróleo STP/Nigéria.

A cerimónia de tomada de posse teve lugar em Março, na capital do Gabão, com a presença do presidente são-tomense, Fradique de Menezes, mas o grande impulso à recriação da organização, que desde a fundação em1999 tinha dado poucos sinais de vida, foi dado pelo seu congénere angolano.

José Eduardo dos Santos foi pessoalmente à cimeira da CGG em Libreville em Agosto do ano passado e foi notado o empenho da missão angolana em sair da capital do Gabão com resultados palpáveis, para o que terá sido decisivo o apoio da Guiné Equatorial e de São Tomé.

O reforço do envolvimento angolano na CGG, escreve o África Monitor, conta com um apoio de maior peso ainda – dos Estados Unidos, interessados em contrabalançar a importância regional da Nigéria, país que continua a viver com significativos focos de instabilidade e que parte agora para um processo eleitoral de resultado imprevisível.

Além dos dois países de língua portuguesa fazem parte da CGG o Gabão, Nigéria, Guiné Equatorial, Camarões e República do Congo.

Numa outra frente, e numa altura em que vai consolidando a sua posição de segundo maior produtor de petróleo na região, Angola mostra-se crescentemente empenhada também na dinamização da Associação dos Produtores de Petróleo Africanos, em cuja criação foi decisiva.

Concretizada a adesão à Organização de Países Exportadores de Petróleo no final do ano passado, e lado-a-lado com uma Nigéria instável e menos actuante na diplomacia económica, Angola pode vir a assumir-se em breve como porta-estandarte dos interesses dos países produtores de petróleo da África sub-saariana, em particular dos principais, que estão no Golfo da Guiné. (macauhub)

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