Cem milhões de dólares podem salvar chá no Guruè em Moçambique

13 April 2007

Maputo, Moçambique, 13 Abr – As empresas produtoras de chá no distrito de Gurué, norte da província moçambicana da Zambézia, necessitam de pelo menos 100 milhões de dólares para renovação de 10 mil hectares de terra disponível para voltarem à produção, escreve hoje o jornal Notícias, de Maputo.

A verba destina-se essencialmente à aquisição de pesticidas para o tratamento fitossanitário e compra de variedades de plantas mais produtivas.

Segundo o jornal do Maputo “devido ao envelhecimento das plantas, as colheitas dos últimos anos têm vindo a registar baixas quantitativas e qualitativas, o que faz com que o produto moçambicano seja vendido em leilão no mercado queniano”.

O distrito de Gurué dista 350 quilómetros de Quelimane.

Dos países conhecidos internacionalmente como produtores, Moçambique é o único que ainda não investiu na renovação das plantas.

As empresas do Guruè afirmam que precisam de dinheiro para relançar a produção de chá, mas entendem que só com o crédito bancário não será possível concretizar o projecto pelo que defendem a necessidade de comparticipação do Estado no processo.

Os produtores do Gurué têm em seu poder toneladas consideráveis de chá processado e empacotado mas o comportamento do preço nos mercados de Malawi, Quénia, Alemanha, América, Dubai e Paquistão não encoraja a sua exportação.

Em 2006, as empresas moçambicanas venderam quase a totalidade da sua produção mas o cenário alterou-se profundamente no início de 2007.

Dados avançados por Almeida Lee, director-geral, da Chazeiras de Moçambique, indicam que 2006 o quilograma de chá custava um dólar, sendo que este ano os preços registaram quedas devido ao aumento da oferta do produto.

O chá que constituía o principal suporte da economia de Gurué, contribui actualmente com um por cento do PIB de Moçambique, contra os quatro a sete antes da Independência e 11 por cento entre 1980 e 1982. (macauhub)

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