Quimberlitos ganham peso na produção diamantífera angolana e atraem multinacionais

30 April 2007

Luanda, Angola, 30 Abr – Os quimberlitos, rochas de onde se extraem os diamantes, estão a ganhar peso na produção diamantífera angolana, face às pedras de aluvião, e o grande número de ocorrências ultimamente identificadas está a aliciar grandes multinacionais a entrar no negócio.

Destas multinacionais mineiras, segundo relata a “newsletter” África Monitor citando avaliações internas da concessionária diamantífera estatal angolana, Endiama, a mais adiantada é a BHP Billiton, que já está activa na prospecção do rico subsolo do país.

A Rio Tinto está em vias de entrar no negócio, mas as empresas russas e sul-africanas apresentam-se hoje em vantagem, devido ao domínio de tecnologia apropriada aos trabalhos necessários, adianta a mesma publicação.

Os mais importantes trabalhos de exploração estão a ser efectuados pela sul-africana De Beers, a principal empresa diamantífera mundial, através de dois aviões com tenologia de ponta que permite a sondagem electrónica do subsolo, a que se segue trabalho de campo.

Um dos mais valiosos quimberlitos identificados pelo “gigante” mundial dos diamantes situa-se no Camissombo, Lunda Norte, segundo a mesma publicação.

Na faixa oriental do território, e principalmente na metade Norte, estima-se que existam perto de 1.000 ocorrências quimberlíticas, grande parte das quais já identificadas e mapeadas.

Contudo, de acordo com as mesmas avaliações internas da Endiama, a exploração deverá ser viável apenas em 40 por cento destas ocorrências, conforme os critérios geológicos e de mineração correntes.

O mais valioso quimberlito identificado até ao momento é o do Camutué, concessionado à Angola Diamond Corporation, dos empresários Noé Baltazar e Isabel dos Santos.

A exploração deste está pendente da conclusão da associação à sul-africana Namaqua Diamond Corporation ao projecto.

A lei do sector diamantífero impõe actualmente que a Endiama tenha uma participação maioritária (51 por cento) no capital das empresas de exploração diamantífera, associando-se a investidores privados.

Dos quimberlitos actualmente em exploração, o principal é o do Luó (Camatchia e Camagico), concessionado à portuguesa Escom, grupo Espírito Santo, e à russa Alrosa.

De acordo com o África Monitor, das 150 concessões mineiras atribuídas em Angola, só 17 estão em actividade, pelo que as autoridades pretendem imprimir mais ritmo no sector, nomeadamente introduzindo alterações legislativas que promovam o investimento e reforcem as garantias aos privados.

Na passada semana, o ministro angolano da Geologia e Minas, Manuel Africano revelou que o Governo vai apresentar brevemente um novo regulamento sobre a comercialização de diamantes, com medidas de enquadramento da produção artesanal de diamantes.

O mesmo responsável afirmou que o Estado angolano deverá arrecadar este ano perto de mil milhões de dólares com a venda dos diamantes, e entre 100 e 150 milhões de dólares em receitas fiscais do sector.

De acordo com as avaliações da Endiama citadas pelo África Monitor, o aumento de ocorrências quimberlíticas e a maior actividade do sector diamantífero, a par de exaustão de fontes aluvionares, levará a que no futuro próximo o “grosso” da produção angolana venha das rochas.

A exaustão relaciona-se com a prolongada exploração de fontes aluvionares, algumas há mais de 20 anos, e também ao garimpo ilegal, particularmente sentido nas províncias da Lunda Norte, Luada Sul e Malanje, que as autoridades angolanas lutam há vários anos por eliminar.

Esta actividade, que canaliza as pedras para o mercado “negro”, com consequente perda de receitas fiscais para o Estado angolano, tem vindo a recorrer a práticas conducentes à rápida exaustão de fontes, como uso de dragas mecânicas para sucção do fundo dos rios e desvio do curso destes.

O diamante de aluvião é tradicionalmente o preferido pela indústria joalheira internacional, pelo seu estado superior de pureza.

Entre as principais explorações aluvionares em curso em Angola estão as da Lucapa (Sociedade Portuguesa de Empreendimentos), Chitotolo, Lumanhe, Yetwene, Chimbongo (Escom), Luarica, Fucaúma e Calonda.

No Lumanhe, esteve há pouco tempo iminente o esgotamento da produção, mas acabou por ser evitado com a descoberta de um novo depósito, relata o África Monitor. (macauhub)

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