Empresa sul-africana investe no aumento da produção de açúcar em Moçambique

7 May 2007

Maputo, Moçambique, 07 Mai – As açucareiras de Xinavane e de Mafambisse vão beneficiar de projectos de expansão no valor de 177 milhões de dólares a fim de aumentar a produção para 296 mil toneladas contra as actuais 124 mil toneladas.

As duas açucareiras são detidas pelo Estado moçambicano e pela Tongaat-Hulett, da África do Sul, com os investimentos previstos a serem realizados maioritariamente pelos accionistas sul-africanos.

A Tongaat-Hulett vai investir 144 milhões de dólares na fábrica de Xinavane e 18 milhões na de Mafambisse e o Estado moçambicano vai contribuir com 15 milhões de dólares.

Para investir na fábrica de Xinavane, a Tongaat-Hulett chegou a acordo com o governo de Moçambique para a reforma da estrutura accionista, pelo que os sul-africanos passarão a deter 88 por cento das accções contra 49 por cento actualmente.

Entre as principais motivações para os projectos de expansão consta o aproveitamento do mercado preferencial europeu, através do EBA (Evertything But Arms – Tudo Menos Armas), que abre oportunidade para a colocação de elevadas quantidades do produto moçambicano naquela zona a preços superiores aos do mercado internacional livre.

O presidente de Conselho de Administração de Xinavane e Mafambisse, Augusto Cândida, juntou aos argumentos da viabilidade do projecto as expectativas em relação ao aumento da procura interna do açúcar, na sequência dos esforços em curso com vista ao controlo do contrabando do produto a partir dos países vizinhos com destaque para África do Sul e Zimbabwe.

“Uma forte plataforma foi estabelecida em Moçambique nos últimos seis anos. Vamos usar esta plataforma para a expansão da produção de açúcar nas nossas duas fábricas, de 115 mil toneladas em 2005 para mais de 270 mil toneladas, quando o mercado europeu abrir para as exportações dos países menos desenvolvidos”, referiu Peter Sataude, da Tongaat-Hullet.

Sataude acrescentou que de 2009 a 2015 o preço do açúcar exportado permanecerá invariável, o equivalente a 19,6 cêntimos de dólar por libra.

“O nosso objectivo é produzir açúcar com um custo de 8,5 cêntimos de dólar por libra, um custo de produção que se compara favoravelmente com o Brasil”, considerou, intervindo no lançamento do projecto de expansão das fábricas de Xinavane e Mafambisse.

Em Xinavane, a produção de açúcar vai aumentar de 61 mil toneladas em 2005 para 180 mil toneladas em 2009.

A infra-estrutura fabril será modernizada a fim de aumentar a capacidade de moenda de cana por hora, de 150 toneladas para 360 toneladas/hora, alcançando-se assim a eficiência de produção comparável com outros países produtores.

Prevê-se as obras neste empreendimento estejam concluídas em Abril de 2009, ao passo que a plantação da cana será expandida entre 2007 e 2008, em 6500 hectares de campos irrigados, aumentando a produção desta matéria-prima de 509 mil toneladas, em 2005 para 1,5 milhões de toneladas até 2009.

A expansão da açucareira de Mafambisse inclui o aumento da área de cultivo da cana-de-açúcar, nomeadamente uma área adicional de 2100 hectares, sendo que a produção de açúcar deverá evoluir para 82 mil toneladas por ano nos próximos anos.

Trata-se de áreas que passarão a ser irrigadas por água abastecida pela barragem Muda, construída recentemente perto da açucareira, cuja inauguração terça lugar a 18 de Maio, de acordo com dados confirmados por Rosário Cumbi, da açucareira de Xinavane. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH