Estatal brasileira Embrapa vai investir em África nos países onde a China vai aplicar cinco mil milhões de dólares

7 May 2007

São Paulo, Brasil, 07 Mai – A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) anunciou que vai investir em África, precisamente nos países onde a China vai ajudar a desenvolver infra-estruturas, como é o caso de Moçambique e Angola, escreve a imprensa brasileira.

A empresa estatal brasileira vai acompanhar os investimentos chineses em África, estimados em cinco mil milhões de dólares nos próximos cinco anos, de modo a assegurar uma fatia do mercado da formação e treino de pessoal, assistência técnica, serviços de consultoria, pesquisas associadas e transferência de tecnologias específica para a agricultura tropical dos países da África Subsaariana.

Os responsáveis da Embrapa consideram que os investimentos da China resultarão numa forte aumento do consumo de alimentos no mercado interno na África permitindo a entrada de produtos brasileiros como máquinas e equipamentos agrícolas, sementes, sistemas de produção (lavoura-pecuária e agro-silvopastorícia) até matérias-primas (soja, milho, arroz, algodão) e carnes.

Para começar, a Embrapa centrará os seus esforços em Moçambique, África do Sul, Namíbia, Zâmbia, Camarões, Libéria, Sudão e Seychelles e numa fase posterior em Angola, Egipto, Gana, República do Congo, Tanzânia, Uganda, Nigéria e Quênia.

“A China está indo para a África atrás da mineração, do cobre, do ferro, do manganês, além do petróleo e do gás. E nós vamos atrás deles para colocar, pela primeira vez, o pé fora do Brasil de maneira institucional”, disse o presidente da Emprapa, Silvio Crestana ao Valor Económico.

A Embrapa implantou em 2006 uma unidade de pesquisa em Acra, a capital de Gana onde uma equipa de pesquisadores realiza, desde Dezembro do ano passado, as prospecções do vasto mercado local.

“A tecnologia da Embrapa, líder mundial na agricultura tropical, cobre todos os ecossistemas da África. Não apenas com tecnologias de produção, mas também de manejo, culturas específicas, zoneamento e genética animal, por exemplo”, afirma Silvio Crestana.

Mesmo com pouco mais de quatro meses de trabalho na África, a procura tem sido “enorme”,assinala Crestana.

“Há pedidos de todo tipo. Por exemplo, um grupo português procura uma parceria para implantar 100 mil hectares de soja e instalar uma fábrica de biodiesel voltada para a exportação no mercado da Europa. A maior cooperativa do mundo, a All China Federation, que reúne 160 milhões de membros, está interessada na tecnologia da Embrapa” referiu Silvio Crestana. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH