Industriais de têxteis brasileiros querem novas negociações com a China para reduzir importações

8 May 2007

São Paulo, Brasil, 08 Mai – Os industriais de têxteis do Brasil pediram ao governo para retomar negociações com a China com vista a impedir o aumento desmedido de produtos chineses no país, escreve hoje o Valor económico.

O acordo para a criação de quotas para têxteis, firmado entre o Brasil e a China, entrou em vigor em Abril de 2006 mas não fez reduzir as exportações chinesas para o Brasil.

Apesar das importações dos 70 produtos contemplados no acordo terem sido reduzidas em 67 mil toneladas, as compras de outros produtos têxteis cresceram 156 por cento, de 42 mil toneladas em 2005 para 109 mil toneladas em 2006.

No mesmo período, as importações totais de têxteis chineses subiram 59 por cento e atingiram quase 180 mil toneladas.

A participação dos produtos contemplados no acordo no total das importações de têxteis chineses caiu de 61,5 por cento em 2005 para 37 por cento em 2006.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), esta percentagem deve chegar a 12 por cento este ano, o que tornará o acordo irrelevante.

Tendo em conta que o acordo entre o Brasil e a China termina apenas no final de 2008 os industriais pediram às autoridades para que sejam renegociados os termos do acordo.

“O acordo é dinâmico e prevê esse ajuste”, disse ao jornal brasileiro Fernando Pimentel, director-executivo da Abit.

O governo brasileiro ainda está a avaliar o que aconteceu com a pauta de importações.

“Se as mudanças tiverem sido provocadas pela dinâmica do mercado, o governo promete retomar as conversas” disse Armando Meziat, secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento.

Durante as negociações do acordo, o sector privado brasileiro chegou a propor um limite para o aumento total das importações, mas as autoridades chinesas não aceitaram essa cláusula. (macauhub)

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