Preço do petróleo, gastos públicos e eleições são os maiores riscos económicos de Angola

10 May 2007

Lisboa, Portugal, 10 Mai – A descida do preço do petróleo, o elevado crescimento dos gastos públicos e o cenário de eleições são os principais riscos para a economia angolana, afirma a Espírito Santo Research (ESR).

A favorável situação externa presente assegura “a estabilização das principais variáveis macroeconómicas”, com elevadas taxas de crescimento graças às exportações de petróleo e diamantes e investimentos em infra-estruturas, mas existem riscos a este “cenário benigno”, considera a ESR.

Os dados da empresa do grupo Espírito Santo, presente no mercado bancário angolano através do Banco Espírito Santo Angola (BESA), constam de uma recente apresentação, consultada pela agência noticiosa portuguesa Lusa, a empresários de Espanha no final de Abril, na edição deste ano do salão de exportações de Madrid (IMEX).

Entre os principais riscos, refere, estão possíveis oscilações no mercado do petróleo, bem como um eventual abrandamento da actividade económica global.

“A estratégia de estabilização dos preços através de intervenções no mercado cambial [seguida pelo Banco de Angola] não é sustentável a longo prazo e prejudica a competitividade dos sectores não-petrolíferos, acentuando a dependência da economia em relação ao petróleo”, afirma o responsável da ESR.

Outro risco actual é o crescimento elevado dos gastos públicos “sustentado essencialmente pelas receitas do petróleo, incluindo a obtenção de empréstimos suportados por futuras receitas do sector”.

A ESR destaca ainda “as primeiras eleições legislativas e presidenciais do período do pós-guerra”, possivelmente em 2008.

“Ainda que não se esperem alterações significativas no actual quadro político, as eleições são um elemento para potenciar variações nos níveis de confiança dos investidores estrangeiros”, refere ainda o analista da ESR.

A “ausência de infra-estruturas, forte concentração da população e baixo nível de qualificação da mão-de-obra” são outros pontos de interrogação colocados à economia angolana, para o mesmo responsável. (macauhub)

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