China supera Estados Unidos da América e torna-se maior destino das exportações de Angola

25 June 2007

Londres, Reino Unido, 25 Jun – A China já é o maior destino das exportações de Angola, tendo superado o mercado historicamente mais importante, os Estados Unidos da América, devido a um crescimento de 70 por cento no comércio sino-angolano, afirma a Economist Intelligence Unit (EIU).

No seu mais recente relatório sobre Angola, a EIU salienta que os produtos norte-americanos continuam a ter maior mercado do que os chineses em Angola, mas, a manter-se a tendência dos últimos anos, a China deverá assumir-se em breve como o maior parceiro comercial angolano.

“As importações chinesas [em Angola] continuam baixas, particularmente quando comparadas com as exportações de petróleo angolano, contudo estão a crescer rapidamente”, afirmam os analistas da EIU.

Além disso, adiantam, “é provável que uma grande proporção das importações chinesas não esteja incluída nas estatísticas oficiais”.

No ano passado, o valor da balança comercial dos dois países terá ascendido a 11,83 mil milhões de dólares, mais 70 por cento do que no ano anterior, de acordo com estatísticas oficiais chinesas citadas pela Economist.

Em Novembro do ano passado, as exportações de petróleo angolano para a China atingiram 477 mil barris diários, superando as da Arábia Saudita, maior produtor mundial.

Entre 2001 e 2005, de acordo com a mesma fonte, o valor das exportações angolanas para a China cresceu 10 vezes, atingindo seis mil milhões de dólares, ao passo que as chinesas subiram sete vezes, para 441 milhões de dólares em 2005.

No relatório, a EIU prevê que as exportações angolanas cresçam de 33,8 mil milhões de dólares em 2006 para 35,5 mil milhões este ano e que atinjam 42,7 mil milhões em 2008.

As importações deverão crescer perto de 4,4 mil milhões de dólares no mesmo período de três anos, para 15,7 mil milhões no próximo ano.

Beneficiando do crescimento das trocas, as receitas alfandegárias cifraram-se em 1,55 mil milhões de dólares em 2006, mais 44 por cento do que no ano anterior.

Em máximo histórico estão ainda as reservas externas, beneficiando da alta do preço do petróleo e aumento da produção, tendo atingido os 8,7 mil milhões de dólares em Novembro de 2006.

Ainda de acordo com as previsões da EIU, o crescimento económico deverá manter-se “forte” nos próximos anos, mas com a variação do PIB a abrandar de mais 15,9 por cento em 2007 para mais 9,2 por cento em 2008.

“Os desenvolvimentos no sector do petróleo vão continuar a dominar as perspectivas de crescimento económico” de Angola, mas, adiantam os analistas da EIU, esta expansão “será de capital intensivo e dependente de importações, com poucas ligações a outras áreas da economia, além de sectores dominados pelo governo, como a construção”.

Em relação à produção de diamantes, em 2006 terá crescido para um total de 5,5 milhões de quilates (400 milhões de euros, mais 25 por cento do que no ano anterior), sobretudo devido ao maior projecto do sector, a Sociedade Mineira de Catoca, e a tendência é de alta.

Os dados da EIU indicam que este ano a produção deverá atingir os 10 milhões de quilates e 18 milhões em 2010.

Com o investimento “maciço” do governo, a inflação deverá ser pressionada em alta, em 15,6 por cento este ano e 15,2 por cento no próximo ano.

Este investimento inclui 1200 quilómetros de estradas em 2007, reabilitação de aeroportos, expansão da produção e transporte de electricidade e reabilitação do sector ferroviário.

A baixa produtividade, a falta de infra-estruturas e a sobrevalorização do kwanza angolano estão a afectar os projectos de desenvolvimento do sector agrícola, que estão a avançar, mas “lentamente”, de acordo com a EIU.

Melhor é a situação na indústria, em particular no cimento, que deverá receber investimentos de perto de mil milhões de dólares nos próximos anos, de acordo com a imprensa oficial.

Em relação ao cenário político, a EIU considera, à semelhança da generalidade dos analistas, que o MPLA deverá ganhar as previstas eleições legislativas (2008) e o seu líder, o actual presidente José Eduardo dos Santos, as presidenciais de 2009. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH