Algodão é excepção no “boom” geral das exportações de Moçambique

2 July 2007

Maputo, Moçambique, 02 Jul – O algodão, produto com raízes na economia de Moçambique que remontam à época colonial, é a excepção a um “boom” registado nas principais exportações do país.

A explicação avançada pelo Banco de Moçambique no relatório económico de 2006, publicado na semana passada, é a concorrência das fibras sintéticas nos mercados internacionais, mais baratas.

O “contexto de aumento do preço do algodão vegetal [foi] insuficiente para compensar a redução do volume vendido”, ficando-se o valor exportado pelos 45,7 milhões de dólares, menos 19 por cento.

A redução contraria os resultados positivos do plano de expansão da produção algodoeira, que resultou, na campanha de 2005/2006, no melhor resultado dos últimos 35 anos, 123 mil toneladas, de acordo com dados recentemente divulgados pelo Instituto do Algodão de Moçambique.

Fora a situação neste produto, as outras principais exportações registaram crescimentos da ordem dos dois dígitos e, em cinco casos, de três dígitos.

O maior aumentou registou-se no ouro, mais 325 por cento, atribuído pelo Banco de Moçambique ao “maior controlo sobre a exploração por parte das autoridades” ao longo do ano passado.

As exportações de tabaco cresceram 155 por cento, para 110 milhões de dólares, e as reexportações de combustíveis cresceram 134 por cento, atingindo um total de 32 milhões de dólares, sobretudo devido ao aumento da procura nos vizinhos Malaui e Zimbabué.

Devido à boa campanha agrícola, “reforçada pelos stocks acumulados durante a campanha anterior”, as vendas de caju ao estrangeiro cresceram 35 por cento, para 23,7 milhões.

De salientar o desempenho do açúcar, mais 89 por cento, e do principal produto de exportação do país, o alumínio, cujas vendas ao estrangeiro escalaram 37 por cento, para 1401 milhões de dólares, beneficiando do aumento do preço da matéria-prima nos mercados internacionais.

No total, o comércio externo de Moçambique aumentou em 26 por cento no ano passado, para 5030 milhões de dólares, com o crescimento das exportações (36 por cento) a ser superior às importações (18 por cento), e assim levando a uma redução do défice da balança comercial.

Nas importações, o crescimento foi determinado sobretudo pela categoria de matérias-primas e bens intermédios (mais 26 por cento) e combustíveis (mais 33 por cento).

As maiores reduções de compras ao estrangeiro registaram-se nos bens alimentares, em particular o açúcar (menos 52 por cento) e as cervejas (menos 33 por cento).

Na conta de serviços registou-se um agravamento do défice na ordem dos 21 por cento, para 372 milhões de euros, “determinado pela evolução das rubricas de transportes, construção e serviços empresariais”, refere o Banco de Moçambique.

Entre as actividades económicas, o destaque vai para a construção, cuja produção cresceu 27,3 por cento, acelerando 1,5 por cento em relação ao registado no ano anterior.

Este aumento, refere o Banco, “traduz os esforços em curso desenvolvidos pelas autoridades na efectivação do investimento público no desenvolvimento de infra-estruturas, nomeadamente a construção das pontas sobre os rios Zambeze, Limpopo, Lugela, bem como as obras de ampliação da Estada Nacional 1 e a reabilitação das escolas e dos hospitais”.

A produção da indústria extractiva cresceu 13 por cento, abaixo das previsões iniciais, beneficiando do desempenho do gás natural, das águas minerais e ainda do carvão mineral, que graças aos novos projectos atingiu as 40 mil toneladas no ano passado, mais 1098 por cento do que em 2005.

A produção agrícola registou um aumento de 11,1 por cento, acelerando significativamente em relação aos mais 1,5 por cento registados no ano anterior.

Ainda de acordo com o relatório do Banco de Moçambique, os principais investidores estrangeiros no país foram a África do Sul (114 milhões de dólares) e Ilhas Maurícias (30 milhões).

Nos casos de Portugal, que em 2005 tinha sido o principal investidor, França e Japão, o fluxo de IDE foi negativo devido ao reembolso de créditos comerciais.

Em relação à banca, o resultado líquido do exercício de 2006 terá sido o melhor de sempre, perto de 2,4 mil milhões de meticais (94 milhões de dólares), mais 154 por cento do que no ano anterior.

O expressivo aumento ficou a dever-se ao alargamento da margem financeira em 65 por cento.

Quanto ao Banco de Moçambique, o lucro do exercício foi de 292 milhões de meticais (11 milhões de dólares).

No relatório, o governador Ernesto Gove considera “bastante positivo” o desempenho macro-económico do ano passado, destacando o contributo do sector agrícola e das exportações para o crescimento da economia.

No ano passado, o PIB moçambicano aumentou 8,5 por cento, e de acordo com as projecções do Banco de Moçambique, o crescimento deverá abrandar para sete por cento este ano.(macauhub)

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