Cabo Verde canaliza milhões de dólares para crescimento dos portos

16 July 2007

Cidade da Praia, Cabo Verde, 16 Jul – Cabo Verde está a canalizar investimentos de centenas de milhões de dólares para os seus portos, com o apoio de instituições de cooperação internacionais, para modernizar a actividade e acompanhar o aumento de movimento de carga.

As parcerias no sector portuário, definido pelo executivo cabo-verdiano como área prioritária para o desenvolvimento do arquipélago, merecem destaque na visita que o vice-ministro do Comércio chinês, Wei Jianguo, está a realizar esta semana à cidade da Praia.

Em particular, Cabo Verde procura cativar a China para parcerias, nas áreas de criação de zonas francas (industrial e comercial), transbordo, pescas e turismo, aproveitando a presença do governante chinês, no aquipélago até 17 de Julho.

A visita acontece quando o país aplica importantes investimentos nos portos, que até 2015 deverão registar um acréscimo de carga movimentada na ordem dos 68 por cento, segundo a projecção do Plano de Negócios para o sector, que o director da empresa portuária cabo-verdiana, Enapor, considera já “conservadora”.

“Em 2006 movimentámos cerca de 400 mil toneladas de carga no Porto da Praia. Em 2020, estamos a prever um aumento para 620 mil toneladas”, afirmava Osvaldo Lopes à última edição do semanário económico cabo-verdiano Cifrão, dias antes do início da visita.

É para o porto da capital, que apresenta sinais de congestionamento, que se dirige a maior fatia do investimento, perto de 53 milhões de dólares, financiados pela instituição de apoio ao desenvolvimento norte-americana Millennium Challenge Corporation, adiantava o mesmo responsável.

Actualmente, o porto que serve a capital cabo-verdiana conta apenas com dois cais, um cais de apoio utilizado para cabotagem, quatro armazéns e uma entrada de reduzida capacidade.

A primeira fase prevê a construção de um terminal de cargas, numa área de 14 hectares próxima das instalações das empresas de combustíveis Shell e Enacol, na Achada Grande.

“Essa área será transformada num espaço de logística e passará a ser uma zona nobre” do porto da Praia, incluindo ainda uma estrada de acesso e um quebra-mar, afirmou Osvaldo Lopes ao semanário Cifrão.

A segunda fase de modernização do porto “capital”, na ilha de Santiago, prevê a instalação de um parque de contentores e a duplicação do comprimento do principal cais.
A Enapor tem já um pré-acordo de financiamento com o Banco Europeu de Investimento (BEI) para o projecto de modernização de outro porto, o da Palmeira, na ilha do Sal.

Os portos de Vale dos Cavaleiros (Fogo) e Furna (Brava) vão ser alargados e receber rampas “roll-on roll-off”, para facilitar o embarque e desembarque de mercadorias.

Também há projectos para a criação de um porto polivalente em Sal Rei (Boa Vista) e para a ampliação de Porto Novo (Santo Antão), onde serão investidos perto de 40 milhões de dólares, numa primeira fase.

De acordo com Osvaldo Lopes, a cabotagem, ou transporte inter-ilhas, deverá registar quase uma duplicação de actividade nos próximos anos, para as 900 mil toneladas, obrigando a um investimento de 3,2 milhões de contos cabo-verdianos (40 milhões de dólares) a partir do próximo ano, no aumento de capacidade.

Em 2006, as escalas de navios nos portos cabo-verdianos aumentaram em nove por cento, mais 500 barcos.

O tráfego de mercadorias cresceu de 1,5 milhões de toneladas para 1,8 milhões, contribuindo para a subida dos resultados da Enapor.

A empresa portuária registou um aumento de 12 por cento nos proveitos e de 44 por cento nos resultados líquidos.

Em Cabo Verde, o vice-ministro do Comércio chinês, Wei Jianguo, terá um audiência com o primeiro-ministro, reuniões com o ministro da Economia, Crescimento e Competitividade, José Brito entre outros governantes.

A delegação chinesa, que inclui vários empresários, irá efectuar visitas a empresas e zonas potenciais de desenvolvimento em Santa Cruz (Santiago), Sal e São Vicente.

Segundo nota divulgada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros cabo-verdiano, a parceria entre os dois países “potenciará uma enorme plataforma de negócios para as empresas chinesas expandirem o seu mercado à CEDEAO, aos PALOP e beneficiar de acordos com o AGOA”.

“Para Cabo Verde, gerará empregos duradoiros e facilitará a edificação de infra-estruturas necessárias para garantir a implementação, com sucesso, da agenda de transformação, numa base de ganhos recíprocos para os dois povos”, refere. (macauhub)

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