Reanimação da economia faz crédito disparar em Angola

30 July 2007

Luanda, Angola, 30 Jul – A reanimação da economia de Angola está a fazer disparar o crédito bancário, mas também dificulta a almejada descida da inflação para os 10 por cento constantes do cenário macroeconómico para 2007.

Dados do Banco Nacional de Angola (BNA) referidos no Estudo Económico e Financeiro do grupo bancário português BPI sobre Angola, indicam que em Maio o crédito à economia cresceu 81 por cento, em relação a igual período do ano passado, situando-se próximo dos 600 milhões de kwanzas (8,02 milhões de dólares).

Apesar do volume total ser ainda pequeno, a “dinamização de sectores não-petrolíferos carece da aceleração do crédito, o qual tenderá a expandir-se à medida que as oportunidades de investimento floresçam”, refere a analista Susana Jesus Santos, para quem “as perspectivas para a evolução futura deste agregado são animadoras”.

No final de 2006, Angola tinha 15 bancos comerciais e o crédito bancário representava apenas 0,5 por cento do PIB com o Fomento, do grupo BPI, a ser líder na banca privada.

“A normalização da actividade económica favorece o surgimento de outros negócios excluindo petróleo, diamantes e comércio, alargando as possibilidades de concessão de crédito”, adianta.

Como consequência, será possível aos bancos angolanos uma “diversificação das carteiras, que afectarão um peso menor dos fundos à dívida pública, exigindo um esforço menor de absorção de liquidez pela autoridade monetária”.

Entre os projectos fora dos sectores petrolífero e diamantífero, o BPI destaca o Pólo Agro-Industrial de Capanda, um investimento público e privado de perto de 900 milhões de dólares ao longo de oito anos, que contempla a criação de 63 mil postos de trabalho e um volume anual de exportações em torno de 500 milhões de dólares.

No petróleo, os tempos são de “forte expansão”, com o início de produção do Campo Rosa (Sonangol/Total) e o arranque da promissora exploração do “on-shore” do enclave de Cabinda; as projecções do Ministério apontam para uma produção total diária de 1,8 milhões de barris este ano, mais 400 mil que em 2006.

Nos diamantes está em vias de arrancar a prospecção no Quito, Província do Bié, a cargo do consórcio Newhorizon e das empresas Endiama e Dourang.

“Dos relatórios de vários organismos internacionais, com destaque para o FMI, conclui-se que há um clima de optimismo face à economia angolana, com alguma surpresa positiva relativamente à capacidade das autoridades para reabilitar as infra-estruturas e melhorar as condições das populações. As reformas estruturais avançam, ainda que a um ritmo demasiado lento, na opinião de alguns”, afirmam os economistas do BPI.

“Avolumam-se os sinais que permitem antever um crescimento de dinamismo da economia” de Angola, consideram.

Contudo, o crescimento económico, a par de constrangimentos na oferta de bens e serviços, está também a pressionar em alta a inflação, pondo em risco a meta de 10 por cento definida para este ano, que o governo pode assim falhar pelo segundo ano consecutivo.

“A inflação interrompeu o movimento de queda sustentada e, nos primeiros meses do ano, o seu comportamento tem sido muito idêntico ao observado em igual período do ano passado, sugerindo dificuldade em fazê-la descer para o objectivo definido”, refere o BPI.

A eficácia da política definida pelo BNA está a ser posta em causa pela “existência de desequilíbrios estruturais e a infância do mercado de crédito, já que os mecanismos de transmissão são incipientes”, adianta.

Os economistas do BPI alertam para a necessidade de maior fiscalização de preços, formal e informal.

Recentemente, o BNA afirmou-se “confiante” em relação à meta de 10 por cento de inflação este ano, e de um dígito em 2008, mas admitiu que as deficiências da economia podem pô-la em causa.

“Apenas alguns reajustes de preços, associados a questões estruturais da economia poderiam impedir que a inflação atinja 10 por cento em 2007; de qualquer forma, deverá ficar abaixo da variação de 12,2 por cento de 2006”, referiu a autoridade monetária. (macauhub)

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