Guiné-Bissau beneficia de reforço da ajuda ao desenvolvimento da China

13 August 2007

Bissau, Guiné-Bissau, 13 Ago – A China está a reforçar a ajuda à Guiné-Bissau, assumindo-se como o principal parceiro para o desenvolvimento do frágil estado do noroeste africano.

Na mesma semana em que anunciou a atribuição de 100 bolsas a estudantes guineenses, a China comprometeu-se a enviar ao governo da Guiné-Bissau duas mil toneladas de arroz, base da dieta alimentar da população local.

A ajuda surge numa altura em que o produto está em falta no mercado do país há duas semanas e os preços estão cerca de um terço acima do habitual.

O actual presidente da Guiné-Bissau, “Nino” Vieira, é um conhecido adepto da intensificação das relações com a China e tem vindo a apelar publicamente a um maior investimento de Pequim no seu país.

Numa das suas primeiras visitas ao estrangeiro desde o seu regresso ao poder, esteve no final do ano passado na China, onde manteve contactos com o presidente chinês Hu Jintao, antes de participar na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do Fórum de Cooperação Sino-Africano.

Durante a visita, obteve apoio da China para construção de um hospital militar e do Palácio da Justiça.

Em Bissau, a cooperação chinesa está historicamente ligada à construção de edifícios emblemáticos do Estado, como a Assembleia Nacional Popular.

Este ano deverá estar concluída a construção do Palácio do Governo, que será o maior edifício da capital guineense, concentrando em seis pisos os principais serviços do executivo.

Em análise está também o apoio chinês à recuperação do Palácio da República, danificado pelos bombardeamentos da Guerra Civil de 1998/99, e a construção de mil casas de habitação social.

No domínio das infra-estruturas, a Guiné quer ajuda chinesa para os projectos da ponte sobre o rio Farim, no norte do país, do porto de águas profundas em Buba (sul de Bissau), e para a reconstrução das estradas Buba-Catió e Quebo-Cacine (sul).

A actividade da cooperação chinesa estende-se ainda aos domínios da Agricultura e também da Defesa, onde estão a ser recuperadas instalações militares na capital, Bissau, além de residências para os oficiais das Forças Armadas.

Pequim já deu luz verde também para a construção da barragem do Saltinho, no Rio Geba, Leste do país, um projecto de 60 milhões de dólares para dotar a Guiné-Bissau do primeiro empreendimento do género.

Fonte da presidência guineense afirmou há duas semanas que Pequim colocou à disposição da Guiné-Bissau 100 bolsas de estudo para formação de quadros guineenses em instituições de ensino chinesas, deixando em aberto a possibilidade de futuramente alargar o programa.

Tendo em vista o reforço da capacidade das instituições públicas guineenses, serão disponibilizadas bolsas nas áreas de Economia Política, Agricultura, Saúde, Educação, entre outras.

Esta ajuda segue-se à assinatura, em meados de Junho, de um protocolo de apoio financeiro da China à Guiné-Bissau, no valor de quatro milhões de dólares.

Esta verba permitirá pagar aos funcionários públicos guineenses, uma medida chave na estabilização de um país com a economia formal praticamente paralisada e que enfrenta sérias dificuldades para responder aos seus compromissos orçamentais.

Da verba disponibilizada pela China, 400 mil dólares destinam-se a ajudar a população da fronteira do norte do país deslocada devido ao conflito na vizinha província senegalesa de Casamansa.

Numa iniciativa pioneira, no início deste ano a China anunciou a abertura do seu mercado a 442 produtos guineenses que vão beneficiar de tarifas preferenciais.

A Guiné-Bissau foi o primeiro país do mundo a assinar com a China acordos de cooperação no sector da pesca de águas profundas.

Mas mais interessantes parecem actualmente as perspectivas no domínio da Energia, onde Bissau pretende assegurar o apoio chinês para a exploração de jazidas de crude na costa.

A par do reforço da cooperação, parece surgir uma nova geração de investimentos empresariais, protagonizada pela Geocapital, de Stanley Ho.

Depois de dificuldades na abordagem ao mercado bancário de Angola e Moçambique, o “rei” do jogo de Macau concretizou na Guiné-Bissau o desígnio de ter um banco num país da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, ao comprar 60 por cento do Banco da África Ocidental (BAO) aos portugueses Montepio Geral e Banco Efisa e a vários empresários em nome individual.

Este foi o segundo negócio de monta conhecido à Geocapital na Guiné-Bissau, depois da concessão de um complexo turístico com casino na ilha Caravela, no arquipélago dos Bijagós, considerada Reserva Ecológica Biosférica pela UNESCO. (macauhub)

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