Alemanha anula dívida bilateral de São Tomé e Príncipe

22 August 2007

São Tomé, São Tomé e Príncipe, 22 Ago – A Alemanha decidiu anular 4,6 milhões de euros da dívida de São Tomé e Príncipe contraída no âmbito de acções de cooperação bilateral, anunciou terça-feira em São Tomé o embaixador germânico, Bernhard Hans-Dietrich.

O perdão da totalidade da dívida bilateral são-tomense foi consubstanciado num acordo assinado terça-feira em São Tomé, tendo a directora do Tesouro Público de São Tomé e Príncipe, Ana Silveira, assinado pelo arquipélago e o diplomata Hans Dietrich pela Alemanha, numa cerimónia a que assistiu o ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos Gustavo.

Em declarações aos jornalistas, Hans Dietrich disse que a decisão da Alemanha se enquadra nas acções dos credores do Clube de Paris no quadro de um programa macro-económico que visa a concessão do perdão da dívida externa de São Tomé e Príncipe.

O representante do governo alemão acrescentou que o montante da dívida anulada será aplicado em projectos que visam a redução da pobreza, que afecta mais de 50 por cento dos são-tomenses, de acordo com as recomendações do Clube de Paris.

Há pouco mais de cinco meses, o Clube de Paris, a instituição que reúne 19 países credores, anulou quase 100 por cento da dívida de São Tomé e Príncipe num montante estimado em 23,9 milhões de dólares, exortando a um maior investimento na educação, saúde, infra-estruturas, agua potável e energia eléctrica como pontos fundamentais para combate a pobreza.

O perdão da dívida do Clube de Paris seguiu-se a um outro concedido em Março último pelo Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional em 327 milhões de dólares, equivalente a 91 por cento do total que São Tomé e Príncipe contraíra junto dos doadores internacionais.

Nos últimos meses, o governo de São Tomé e Príncipe tem intensificado as negociações bilaterais com vários parceiros de cooperação que ainda não se pronunciarem no âmbito deste processo de anulação de dívida externa, numa perspectiva de se obter a totalidade do perdão para o arquipélago.

Estima-se que as ajudas externas cobrem mais de 50 por centro das despesas orçamentais de São Tomé e Príncipe, onde as perspectivas se abrem para a exploração de petróleo, apesar do cacau continuar a ser a base da economia com quase 27 por cento na estrutura do PIB do país.

Em Maio último, as autoridades germânicas manifestaram interesse em cooperar com São Tomé e Príncipe no domínio de petróleo. (macauhub)

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