Empresas já têm “papel central” no crescimento das relações económicas China-África

3 September 2007

Washington, Estados Unidos, 03 Set – O crescimento das relações económicas bilaterais entre a China e África é cada vez mais sustentado pelas empresas e comércio, em vez de pelos Estados e ajuda pública, afirma um estudo publicado pelo Fundo Monetário Internacional.

O estudo do economista Jian-Ye Wang foi publicado na semana passada, a mesma em que se soube que o comércio bilateral entre a China e os países de língua portuguesa aumentou cerca de 60 por cento no primeiro semestre, para 18,8 mil milhões de dólares.

Dados apurados pela agência noticiosa portuguesa Lusa indicam que este fluxo deverá atingir “rapidamente” os objectivos traçados em Setembro passado em Macau de chegar a 50 mil milhões de dólares até 2009.

No estudo “O Que Conduz a Intervenção Crescente da China em África”, Wang prevê que as relações económicas bilaterais vão continuar a crescer em força, dado que são hoje “baseadas no comércio e investimento, e o comércio abrange mais do que matérias-primas”, e que induzirão crescimento das economias envolvidas.

“O crescente papel da China em África não é transitório. As relações económicas bilaterais são cada vez mais dominadas por laços comerciais, em vez de por considerações de ajuda pública”, afirma o economista.

Para Wang, o investimento dá a África a possibilidade de ultrapassar bloqueios históricos ao crescimento económico, nomeadamente na falta de investimento e ausência de infra-estruturas, pelo que os países do continente devem “fazer o trabalho de casa.

“O futuro das relações económicas bilaterais será moldado cada vez mais por oscilações de vantagens comparativas e alterações nas cadeias globais de abastecimento. Isto sustenta a importância de melhorar o clima de investimento e fortalecer o enquadramento regulatório, particularmente em África, para alcançar resultados mutuamente profícuos”, refere.

De acordo com dados apresentados no estudo, as exportações africanas para a China cresceram mais de cinco vezes desde o ano 2000, tendo atingido 28,8 mil milhões de dólares no ano passado; a China exportou em 2006 quase 27 mil milhões de dólares para o continente africano, também um crescimento de cinco vezes no referido período.

As importações africanas da China são constituídas principalmente por bens manufacturados (45 por cento) e maquinaria e equipamento de transportes (31 por cento), enquanto as chinesas repartem-se pelo petróleo (62 por cento) e derivados (13 por cento) e outros (17 por cento), em que se incluem produtos agrícolas.

“As relações económicas entre África e China são claramente impulsionadas pelas trocas comerciais, no lugar de pelos fluxos de ajuda, e o sector privado assumiu o papel central; tornaram-se muito mais descentralizadas e abrangentes”, afirma Wang.

Segundo sublinha o economista, o desenvolvimento dos laços tem beneficiado em grande medida do apoio das instituições financeiras públicas estatais da China, que criam oportunidades para resolver bloqueios ao crescimento económico.

Instituições como o China Exim Bank, o Banco de Desenvolvimento da China ou o Sinosure “têm sido instrumentais na sustentação dos novos laços económicos, baseados no comércio” e “estão a ajudar a corrigir uma sub-avaliação crónica de África pelos investidores, ajudando a financiar novos investimentos nos sectores exportadores e de infra-estruturas”.

Neste último sector, adianta, há em África “uma grande procura por satisfazer”, dado que faltam os conhecimentos técnicos e financeiros para lançamento das empreitadas, os doadores internacionais privilegiam tradicionalmente outras áreas e para o sector privado é “um negócio de alto risco”.

“África vai tornar-se um mercado cada vez mais atraente à medida que o nível de rendimentos cresce e com os avanços na integração regional. Também vai tornar-se num destino chave no investimento internacional, além de precisar de infra-estruturas. Juntas, estas duas poderosas forças de mercado podem colocar as relações económicas firmemente num plano comercial”, defende o economista.

Contudo, adianta Wang, cabe aos governos assegurar o correcto aproveitamento, a nível económico e social, nos respectivos países, dos dividendos do processo de interligação crescente.

“Quer o sector público, quer o privado, têm um papel a desempenhar para garantir que os cada vez maiores laços de comércio e investimento sejam mutuamente benéficos e contribuam para o crescimento sustentável e desenvolvimento em África”, defende o economista, no estudo publicado pelo FMI. (macauhub)

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