Presidente de Moçambique admite dificuldades no escoamento de carvão de Moatize

6 September 2007

São Paulo, Brasil, 05 Set – O presidente de Moçambique, Armando Guebuza, admitiu quarta-feira em São Paulo haver dificuldades no transporte do carvão que será explorado pela brasileira Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) em Moatize, no interior do país.

“Temos consciência de que os caminhos-de-ferro da região não são suficientes”, disse à imprensa o presidente, após um encontro empresarial na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo.

Ele ressaltou que, ao menos que haja recursos adicionais para melhorar as ferrovias e para lidar com a carga portuária, “não haverá como escoar todas as 11 milhões de toneladas que a Vale planeja extrair anualmente”.

“Existem diversas empresas interessadas em investir no aumento da capacidade de transporte”, afirmou Guebuza. “Queremos apoiá-las e criar condições, talvez com recursos estatais”, acrescentou ele, que está em visita ao Brasil e nesta quarta-feira encontrou-se com empresários na mais populosa cidade brasileira.

A Companhia Vale do Rio Doce, que obteve em Junho os direitos de exploração do carvão em Moatize, espera extrair 8,5 milhões de toneladas de coque para a indústria metalúrgica e pelo menos 2,5 milhões de toneladas de carvão de queima, para a produção de electricidade.

No início de Agosto, a incerteza sobre a estrutura de transporte que seria utilizada para escoar o carvão provocou reações do presidente da CVRD, Roger Agnelli,que afirmou que seria necessário encontrar saídas para tornar a exploração economicamente viável.

Guebuza realçou que a solução será “trabalhada em conjunto com a Vale” e que está em estudo a reparação da linha de caminho-de-ferro que liga Moatize a um dos grandes ao porto da Beira ou a sua reconstrução completa.

“Porém, serão necessários recursos para fazer a dragagem no porto da Beira, que hoje não tem capacidade para permitir a entrada de navios de grande dimensão”, adiantou Guebuza.

Uma alternativa seria o porto de Nacala, considerado o melhor porto natural da costa leste do país.

“Trata-se de uma área sem um limite máximo no número de embarcações que podem acostar”, afirmou o presidente de Moçambique.

Armando Emílio Guebuza está em visita oficial ao Brasil até 7 de setembro, participando de reuniões sobre biocombustível e acordos comerciais bilaterais. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH