Portugal volta “à carga” junto do sector marítimo-portuário chinês

10 September 2007

Pequim, China, 10 Set – Aproximadamente sete meses depois de lançado o projecto de fazer de Portugal “porta de entrada” da Europa para produtos chineses e plataforma para a América do Sul e África, Lisboa volta à carga junto do sector marítimo-portuário chinês.

Ana Paula Vitorino, secretária de Estado portuguesa dos Transportes que protagoniza esta “segunda investida”, afirmou à última edição do semanário Expresso que o porto de águas profundas de Sines, o que maior crescimento de movimentação de cargas alcançou nos últimos anos no país, é o que reúne melhores condições para receber os contentores chineses.

“Pretendemos criar um regime de parceria institucional entre governos que funcione como facilitador entre empresas, sejam elas públicas ou privadas”, afirmou a governante portuguesa, antes de partir para a sua visita, iniciada no sábado, e que se prolonga até à próxima quinta-feira, dia 13.

Ana Paula Vitorino precisou que, com a associação ao sector marítimo-portuário chinês, o objectivo para os portos portugueses é “receber mais sete a 12 por cento de carga, o equivalente a 4,8 e 7,9 milhões de toneladas”.

No início do ano, os chefes de governo português e chinês, José Sócrates e Wen Jiabao, assinaram um acordo de princípio no Palácio do Povo, em Pequim, que representou o lançamento do projecto.

Neste memorando, os dois países comprometem-se a desenvolver “a ideia comercial e o projecto de um centro logístico que suporte a comercialização de produtos chineses em Portugal, bem como a distribuição dos mesmos para o sul da Europa, África e Brasil”.

”Com o memorando assinado em Pequim, prevê-se que as autoridades chinesas façam acções de promoção para utilizarem o porto de Sines e a plataforma logística do Poceirão como porta de entrada dos seus produtos na Europa, em vez das alternativas da Espanha e de Roterdão (Holanda)”, referia nota então divulgada pelo governo português.

O “timing” da visita da secretária de Estado portuguesa à China é considerado por analistas em Portugal como “cirúrgico”, uma vez que esta é a altura do ano em que tradicionalmente se estabelecem os acordos internacionais de transporte marítimo para o próximo ano.

Um dos momentos altos da visita será a assinatura de um memorando de entendimento entre a operadora marítima China Shipping e a PSA Sines, empresa que explora o terminal XXI, no sul da costa portuguesa.

Este porto, que entre 2005 e 2007 registou um crescimento de tráfego de 250 por cento (150 mil TEU, ou unidades de medida de contentores), tem actualmente em projecto a construção de um novo terminal de grandes dimensões, fundamental para a sua afirmação no contexto europeu e cuja concretização dependerá em grande medida do sucesso na tentativa de cativar os operadores chineses.

Segundo relatava o diário Correio da Manhã, entre as vantagens a apresentar na China está a recente actualização tecnológica dos três principais portos portugueses – Leixões, Sines e Lisboa – que permite que os procedimentos administrativos para a descarga de contentores sejam despachados antes de os navios atracarem, permitindo significativas poupanças de tempo.

Até 2010, está previsto um investimento superior a 300 milhões de euros nas infra-estruturas portuárias portuguesas, com o objectivo de pô-las no mapa das grandes rotas internacionais e fomentar o desenvolvimento de uma rede logística integrada na da União Europeia, mas com preços inferiores.

Na semana passada, Lisboa aprovou em Conselho de Ministros um decreto-lei que regula os “actos e procedimentos aplicáveis ao acesso e saída de navios e embarcações de portos nacionais”, visando desburocratizar os processos.

Além dos portos, o acordo a assinar durante a vista da governante portuguesa deverá ainda contemplar o transporte rodoviário e ferroviário e as infra-estruturas, de acordo com nota distribuída pelo Ministério dos Transportes português.

Com a secretária de Estado portuguesa seguem perto de duas dezenas de empresários, incluíndo de grupos ligados à logística e infra-estruturas, como a portuguesa Mota-Engil e a brasileira Odebrecht e as construtoras Edifer e Somague.

Além da PSA Sines e da Administração do Porto de Sines, que tem prevista a assinatura de um protocolo de colaboração com o Porto de Tianjin, estarão ainda representadas a Associação de Armadores da Marinha de Comércio, o IPTM – Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos e responsáveis dos operadores portuários portugueses.

Vitorino manterá encontros com o Vice-Ministro das Comunicações chinês, Feng Zhenglin, entidades públicas e privadas e empresários.

Noutra frente, o Ministério dos Transportes português salientou, antes da partida, que o homólogo chinês ”detém a pasta das Obras Públicas, facilitando assim a aproximação das empresas portuguesas”, lembrando que “a China está a preparar a maior obra pública do Mundo, a exposição de 2010 em Xangai (Expo Xangai), uma intervenção que pode constituir uma oportunidade para as áreas de construção e engenharia nacionais”. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH