Energia, construção e serviços serão áreas mais beneficiadas com petróleo em São Tomé e Príncipe

17 September 2007

Washington, Estados Unidos da América, 17 Set – O “boom” petrolífero em São Tomé e Príncipe, aguardado para os próximos anos, deverá beneficiar principalmente os sectores da energia e águas, construção e comércio e serviços, de acordo com um estudo divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

As projecções estatísticas de quatro economistas do FMI – Ulrich Klueh, Gonzalo Pastor, Alonso Segura e Walter Zarate – indicam que a pequena economia são-tomense deverá registar um crescimento médio anual de 10 por cento no período entre 2001 e 2021, a confirmarem-se perspectivas “modestas” em relação às exportações de petróleo, e caso o governo seja bem sucedido no “desafio” de criar “elos” que permitam que as receitas se disseminem pelo resto da economia, permitindo o desenvolvimento de outros sectores.

“No caso de São Tomé e Príncipe, um desenvolvimento reconfortante é que as melhores práticas – emprego, valor acrescentado, investimento – estão a ser discutidas de forma abrangente no contexto da exploração da Zona de Desenvolvimento Conjunto (JDZ, na sigla em inglês) com a Nigéria e na Zona Económica Exclusiva”, afirmam os autores do estudo, divulgado na semana passada.

As projecções dos economistas do FMI partem do pressuposto da descoberta na JDZ de um poço de petróleo comercialmente viável, com reservas de 500 milhões de barris, a média da região do Golfo da Guiné em condições semelhantes.

Em 2021, a produção deverá ascender a 70 mil barris diários na JDZ, depois de ter atingido um pico de 160 mil barris em 2015, cabendo a São Tomé 40 por cento destas receitas, ao abrigo do acordo de produção assinado com a vizinha Nigéria.

Neste cenário, a economia são-tomense valerá aproximadamente 11.377 biliões de dobras de 2001 (8,4 mil milhões de dólares) em 2021, tornando-se num dos países com maior rendimento “per capita” no continente africano, tendo em conta o reduzido número dos seus habitantes.

Os sectores mais beneficiados, defendem os autores do estudo, seriam energia e água (crescimento médio de 11,5 por cento entre 2001 e 2021), construção (9,9 por cento) e comércio e serviços (9,4 por cento), além, naturalmente, do sector petrolífero (37,2 por cento).

Este último sector, hoje praticamente inexpressivo na economia de São Tomé, deverá valer em 2021 mais do dobro da produção total da economia no ano de 2001, e o seu peso será ainda maior nos anos em que as exportações atingirem o tecto previsto.

Os crescimentos previstos mais acentuados registam-se no sector secundário, cujas actividades “sofrem hoje de carências agudas de infra-estruturas”, afirmam os economistas do FMI.

Para os autores do estudo, a expansão do comércio e serviços seria “muito importante para a economia, dadas as suas ligações a outros sectores da economia e natureza de trabalho intensivo”.

“As nossas projecções mostram o sector do petróleo e minas e tornar-se predominante na economia, mas com sectores secundários (energia e águas, construção) e terciários (comércio e serviços, incluindo turismo) também a aumentarem o seu peso na produção total, à custa das da agricultura e indústria manufactureira”, adiantam.

Em 2001, eram estes dois referidos sectores os mais importantes para a economia, com percentagens de 15,7 por cento no caso da agricultura e de 34,8 por cento no caso das manufacturas, que deverão baixar, respectivamente, para cinco por cento do total e 21,3 por cento do total, caso se confirmem as previsões para o desenvolvimento do sector petrolífero.

As projecções apontam ainda para uma redução do peso do Estado na economia, de 6,8 por cento para 3,6 por cento, que hoje se faz sentir sobretudo pelo pagamento dos salários aos funcionários públicos.

“As políticas de resposta óptimas ao expectável `boom´ petrolífero devem envolver alguma forma de envolvimento do governo na promoção de conteúdo local para incentivar que as receitas petrolíferas sejam canalizadas para a economia”, salientam os quatro economistas.

“Infelizmente”, adiantam, “nem sempre é este o caso, com países como a Nigéria, por exemplo, ainda a debaterem-se para lucrar de forma substancial do desenvolvimento da sua exploração doméstica de petróleo e gás”.

Comparado com “gigantes” do petróleo como Angola ou a Nigéria, que apresentam múltiplas potencialidades, São Tomé “pode vir a ter uma única oportunidade de enfoque em projectos de investimento”em actividades directa e indirectamente relacionadas com a indústria petrolífera, salientam os autores do estudo. (macauhub)

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