Investimento e exportações de serviços cada vez mais importantes para Cabo Verde

24 September 2007

Cidade da Praia, Cabo Verde, 24 Set – O investimento empresarial, que este ano deverá representar um quarto do PIB cabo-verdiano, e as exportações de serviços, sobretudo turismo, são cada vez mais importantes para a economia do arquipélago, indicam dados do Banco de Cabo Verde.

No mais recente relatório sobre o comportamento da economia do arquipélago, com os dados disponíveis até Agosto, o banco central cabo-verdiano aponta para um crescimento do PIB em torno de 6,2 por cento, resultado de “um contributo positivo da procura interna, nomeadamente da expansão do investimento privado e de um maior dinamismo do consumo”.

Este ano, o investimento deverá aumentar 25,4 por cento, uma aceleração de 10 pontos percentuais em relação ao período homólogo, graças à componente privada, dado o abrandamento do investimento público.

“Num contexto de expansão do crédito à economia, o comportamento previsto para o investimento privado resulta das evoluções projectadas em bens de equipamento, material de transporte e construção”, afirma o BCV.

Beneficiando de um forte crescimento no acesso ao crédito, o peso do investimento empresarial na economia de Cabo Verde vai duplicar este ano, para perto de 25 por cento do PIB, de acordo com o banco central.

De acordo com o banco central, nos primeiros seis meses do ano o crédito à economia aumentou cerca de 36 por cento em termos homólogos, “sugerindo a continuidade de condições monetárias favoráveis à expansão da actividade económica”.

“Uma conjugação de factores, entre os quais o aumento da concorrência bancária no mercado de crédito, a possibilidade das grandes empresas obterem financiamentos no mercado externo e a existência de algum excesso de liquidez, têm contribuído para a baixa das taxas de juro internas”, adianta o BCV.

A contribuir para o bom momento económico de Cabo Verde, que é actualmente o país africano com maior peso do sector de serviços na economia (74 por cento), está ainda a subida das exportações, na ordem de 10 por cento.

O crescimento contudo, é suportado sobretudo pelas exportações de serviços (25 por cento, ainda que caindo para menos de metade em relação ao período homólogo), dado que a venda de bens ao estrangeiro recua fortemente.

As exportações de bens estão a cair 41,7 por cento face ao primeiro semestre do ano passado, reflectindo “principalmente, a redução de cerca de 50 por cento das reexportações de combustíveis e víveres nos portos e aeroportos internacionais do país, rubrica de maior peso nas exportações de bens, influenciado pela mudança de rota dos voos da SAA”, a operadora aérea sul-africana, salienta o BCV.

Outro factor do maior peso revelado pelos serviços nas vendas ao estrangeiro é uma redução de 23 por cento das exportações de produtos tradicionais, que superou 35 por cento no caso das de pescado.

“Para o aumento das exportações de serviços contribuíram, principalmente, o crescimento significativo das receitas brutas de turismo (45,5 por cento), sector que ganha cada vez mais preponderância na estrutura do produto e como fonte de financiamento da economia do país”, escreve o BCV no seu mais recente relatório.

Quanto às importações, o seu crescimento no primeiro semestre (18 por cento) é o dobro das previsões do banco central, sobretudo devido ao comportamento das categorias de bens de equipamento (mais 74 por cento) e combustíveis (mais 86 por cento).

O BCV adianta que “a importação de um avião pela transportadora aérea nacional explica em 24 por cento o comportamento da importação de bens de equipamento”, e que a componente de combustíveis está a ser afectada pela “pela variação dos preços no mercado internacional”.

O agravamento dos fretes marítimos e dos serviços de seguro, além do “aumento das viagens de nacionais por motivo de negócios” traduzem-se na subida das importações de serviços, que contrabalançam a das exportações.

“Assim, o contributo da procura externa para o PIB, deverá continuar negativo, em parte afectado pela perda da quota de mercado das exportações de bens”, adianta o banco central cabo-verdiano.

Dados da Cabo Verde Investimentos conhecidos esta semana, indicam que, nos últimos seis anos, o arquipélago recebeu perto de mil milhões de dólares em investimento estrangeiro, valor que tem vindo a crescer continuamente desde 2001, tendo como principais destinos os sectores do turismo, banca e finanças e imobiliário e construção.

A agência de promoção do IDE no arquipélago prevê que o investimento estrangeiro atinja 7,8 mil milhões de dólares entre 2007 e 2011, permitindo a criação de 31.882 empregos, e tendo como principal destino a ilha de Santiago, que por si só receberá perto de um terço do total.

O BCV prevê para este ano um crescimento da economia entre seis e sete por cento, acima dos 6,1 por cento registados no ano passado, que foi uma das mais altas taxas da região da África Ocidental.

“Não obstante ter-se verificado um abrandamento do crescimento no primeiro semestre”, afirma o BVC, “as informações mais recentes relativas à dinâmica da actividade económica nacional sugerem a manutenção da tendência de expansão da economia em 2007”. (macauhub)

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