Projecto de construção de barragem de Mphanda Nkuwa entregue ao governo de Moçambique

28 September 2007

Maputo, Moçambique, 28 Set – Um consórcio integrando a construtora brasileira Camargo Corrêa entregou quinta-feira ao governo de Moçambique a proposta final para a construção da barragem de Mphanda Nkuwa, no vale do Zambeze, um projecto avaliado em 1,6 mil milhões de dólares.

A entrega da proposta (a única existente) foi feita numa cerimónia em que participaram os ministros moçambicanos da Energia, Salvador Namburete, e das Finanças, Manuel Chang, bem como o embaixador moçambicano no Brasil e um representante da embaixadora brasileira em Maputo.

Na ocasião, o consórcio formado pelas empresas Electricidade de Moçambique (EDM), Camargo Corrêa e Energia Capital, de Moçambique, anunciou ainda que foi escolhido o modelo de “project finance” para assegurar o financiamento do projecto.

O Eximbank, da China, tem sido dado como financiador do projecto de construção da barragem, que terá uma capacidade de produção de electricidade de 1.500 megawatts (Cahora Bassa tem cerca de 2075 megawatts).

O representante da empresa Energia Capital, Jivá Remtula, adiantou que “ainda não está definido quem irá financiar” o empreendimento mas acrescentou que “vários bancos já manifestaram interesse formal” em financiar o projecto, escusando-se a especificar a sua identidade.

Na cerimónia de recepção da proposta, o ministro moçambicano da Energia falou ainda na possibilidade de virem a ser construídas “mais cinco barragens” ao longo do rio Zambeze, uma forma de “tornar mais eficaz o controlo hidrológico” deste curso de água.

A barragem de Mphanda Nkuwa será construída a 60 quilómetros a juzante da de Cahora Bassa, estando o arranque da construção previsto para o início de 2009 e a conclusão do empreendimento em 2013.

A proposta prevê ainda a construção de uma linha de transmissão de energia de 1400 quilómetros desde a barragem até Maputo, no extremo sul do país, orçada em 2,3 mil milhões de dólares.

A barragem de Mpanda Nkuwa está no topo das prioridades do governo moçambicano, que pretende vender o excedente da energia aí produzida a outros países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), ao abrigo dos mecanismos da SAPP, entidade responsável pela planificação e coordenação das actividades de cooperação e comércio de energia na região.

Apesar de ser um dos países da África Austral melhor servido por rios e cursos de água, Moçambique dispõe apenas de 12 barragens médias e grandes, que se tornam insuficientes para suprir o crescente consumo e também para atenuar os efeitos de secas e de inundações a que é vulnerável. (macauhub)

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