Principais exportadores para Angola registam forte aumento nas suas vendas

8 October 2007

Luanda, Angola, 08 Out – O crescimento do mercado angolano está a ser suficiente este ano para que todos os principais exportadores – Portugal, África do Sul, Brasil, Espanha e China – registem fortes aumentos do valor das suas vendas a Angola.

O maior aumento é registado por Portugal, que até Julho exportou mais 40 por cento do que em igual período do ano passado – um total de 916,4 milhões de euros – o que permite reforçar a sua posição como principal fonte de importações de Angola.

Em sentido inverso, também de acordo com o Instituto Nacional de Estatística português, as exportações de Angola para Portugal aumentaram invulgares 28.560 por cento, para o valor histórico de 215,8 milhões de euros, sobretudo devido à venda de produtos petrolíferos.

Contudo, a evolução das exportações portuguesas poderá mesmo ser superada pela das chinesas, a manter-se o ritmo do ano passado, embora não sejam ainda conhecidas estatísticas oficiais acerca da evolução destas.

Em 2006, a China exportou para Angola mais 139 por cento do que no ano anterior, um total de 894,2 milhões de dólares (631 milhões de euros), tornando o gigante asiático uma das principais origens das importações angolanas.

Em forte alta este ano está ainda o Brasil, cujas vendas em Angola subiram 41 por cento até Agosto, para 661 milhões de dólares, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior brasileiro.

Tradicionalmente, os principais produtos de exportação do Brasil para Angola são açúcares de cana, beterraba e sacarose, gasolinas e ainda tubos de ferro e aço para oleodutos e gasodutos.

Ligeiramente mais modesto, em comparação com os restantes países, é o crescimento de 38 por cento nas vendas da África do Sul, que atingiram 2,4 mil milhões de rand (250 milhões de euros) no final de Junho.

Quanto a Espanha, são principalmente as exportações de produtos – petrolíferos – angolanos que ganham terreno – até Junho 60 por cento face ao período homólogo, atingindo os 203,8 milhões de euros.

Angola importou de Espanha nos seis primeiros meses do ano produtos no valor de 95,5 milhões de euros, mais 35 por cento do que em 2006, segundo dados do instituto espanhol de comércio externo (ICEX).

O forte impulso do comércio externo, que tem vindo a contribuir para valores recorde nas receitas alfandegárias, relaciona-se com o forte crescimento da economia angolana, que este ano deverá atingir os 31 por cento, segundo previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na sua mais recente análise sobre Angola, o FMI aponta ainda para “perspectivas favoráveis” a médio-longo prazo e avalia positivamente a evolução da economia angolana desde o fim da guerra civil, frisando a importância que as receitas petrolíferas diamantíferas estão a ter no processo de reconstrução, além de salientar o papel da reanimação do sector não-petrolífero.

Simultaneamente, a Universidade Católica publicou um estudo prospectivo em que a economia angolana surge como a segunda maior da África sub-saariana em 2010, podendo mesmo ultrapassar a da Nigéria.

Dentro de três anos, prevê o estudo, o produto interno bruto (PIB) angolano deverá ascender a 95 mil milhões de dólares e o PIB “per capita” a 5.000 dólares, com a inflação e o desemprego a representarem os maiores problemas para as autoridades.

“O forte ritmo de expansão do PIB, sustentado por um forte dinamismo do sector exportador, mas também os esforços para a sustentabilidade do crescimento, são reconhecidos por vários organismos internacionais”, afirma o banco português BPI no seu último “research” sobre Angola, divulgado em Julho.

“Dos relatórios elaborados pelos principais organismos internacionais, e com destaque para o FMI, conclui-se que se vive um clima de optimismo em relação à economia angolana, pontuado com alguma surpresa relativamente à capacidade das autoridades angolanas de desenvolvimento de esforços no sentido de aproveitar a envolvente económica favorável para proceder à reabilitação de infra-estruturas e prover à melhoria das condições sociais da população”, adianta o BPI.

Para a equipa de economistas do banco português, chefiada por Cristina Casalinho, “as reformas estruturais avançam, ainda que a um ritmo demasiado lento, na opinião de alguns”, mas é certo que “avolumam-se os sinais que permitem antever um crescendo de dinamismo da economia”. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH