Banco central de Angola quer grande banco nacional para diminuir peso de estrangeiros

17 October 2007

Lisboa, Portugal, 17 Out – A solução para a “excessiva” presença estrangeira, nomeadamente portuguesa, no sector financeiro de Angola passa pela criação de um grande banco angolano, através de fusões, afirmou terça-feira em Lisboa o governador do Banco Nacional de Angola.

O novo banco, afirmou Amadeu Maurício à agência noticiosa portuguesa Lusa, “pode ser privado ou público, pode ter ajuda do sector público” e a sua criação pode passar por uma “reorganização do sector, acabando a dispersão dos meios” na banca de capital angolano.

De modo a evitar medidas “extremas”, defendidas por alguns sectores, Angola “pode criar condições para que de uma estratégia bem definida resulte uma instituição angolana forte que almeje obter a liderança de mercado”.

Maurício lembrou as “manifestações” de desconforto que têm surgido de sectores da sociedade angolana em relação ao peso da banca estrangeira, que levam a que o banco central tenha de “resolver de forma precoce” a questão, “dizendo que o quadro é conciliável”, entre banca de capital angolano e estrangeira.

“Em termos estratégicos, poderia constituir perturbação pensar que havia sido perdido o controle de um sector importante, neste caso bancário e financeiro, se instituições dominantes fossem de capital estrangeiro na sua totalidade”, afirmou.

Para Maurício, a obrigação de presença de accionistas angolanos no capital das instituições financeiras do país, também já abertamente defendida em Angola, é “uma medida extrema e indesejável”.

“Extremo seria fazer uma norma a dizer que a partir de agora não entra mais nenhum banco estrangeiro, ou português, ou que tem de ter uma parte de capital angolano; não me parece que seja uma medida simpática”, afirmou o governador do banco central à Lusa.

Por isso, defendeu, a solução mais favorável é promover a criação de um “grande banco”, resultante da aglutinação de diversos interesses angolanos.

Angola tem 19 bancos licenciados e 17 a operar, três dos quais públicos, incluindo o Banco de Poupança e Crédito, que disputa a liderança do mercado com o Fomento Angola (grupo português BPI). (macauhub)

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