Cabo Verde: 2008 vai ser o melhor ano da década para o arquipélago

12 November 2007

Praia, Cabo Verde, 12 Nov – O ano de 2008 representava já para Cabo Verde a entrada no grupo de países de desenvolvimento médio e a esperada parceria com a União Europeia mas, de acordo com o banco central do arquiélago, será também o de maior crescimento económico desta década.

No último relatório ao governo, divulgado na semana passada, o Banco de Cabo Verde prevê para o próximo ano um crescimento entre 6,5 e 7,5 por cento, uma aceleração face aos 6,4 por cento esperados para este ano, que se dá num quadro de manutenção da tendência de fortalecimento da situação financeira do arquipélago.

“O principal factor de expansão da actividade económica continua a ser o investimento privado, porquanto prevê-se uma desaceleração do investimento público”, escreve o banco central no relatório apresentado ao governo da Praia.

O crescimento poderia ser bastante maior, não fosse o contributo negativo da procura externa, na ordem de menos 6,2 por cento, que trava o ímpeto do investimento privado e do consumo das famílias, a crescerem, respectivamente, na casa dos 17 e 6,1 por cento.

Os sete por cento de crescimento médio do PIB previstos pelo banco para o próximo ano só encontram paralelo no ano 2000, quando a economia cabo-verdiana cresceu 7,3 por cento, tendo abrandado a partir daí, para depois voltar a acelerar a partir de 2004.

“O ritmo de expansão da actividade económica evidencia o facto dos principais investimentos que vêm sendo realizados no país dirigirem-se para o sector dos serviços (rubrica que pesa cerca de 70 por cento na produção nacional) e, em particular, para o subsector do turismo, actual âncora de crescimento económico”, afirma o banco.

“Reflexo do dinamismo que se regista neste sector é o aumento das exportações de serviços”, que este ano deverão crescer perto de 45 por cento, com as viagens de turismo a representarem 61 por cento do total.

De acordo com as últimas previsões da Cabo Verde Investimentos, o número de turistas deverá ascender a 320 mil no final do ano e até 2012 o arquipélago deverá ter mais visitantes (500 mil) do que população residente.

Com a contribuição dos serviços, o crescimento das exportações deverá acelerar de 13,2 por cento este ano para 16,3 por cento, com as importações a crescerem de forma estável, nos 13 por cento.

No relatório, o banco sublinha a existência de “pressões inflacionistas”, a nível interno e externo, sobretudo devido a “excesso de liquidez”, mas prevê que no próximo ano a inflação caia para um valor no intervalo entre dois e quatro por cento.

Este ano, o índice de preços ao consumidor deverá atingir 5,1 por cento, “uma revisão em alta relativamente à projecção de Março passado”, que “reflecte tanto o efeito do mau ano agrícola sobre os bens alimentares, como o impacto sobre os bens energéticos resultante da última actualização dos preços dos combustíveis”, frisa o banco central.

Em relação à situação financeira do arquipélago, adianta, os dados apontam para “uma melhoria generalizada dos indicadores de sustentabilidade externa, tanto no cenário central das projecções do BCV, como no cenário da evolução da economia a seu nível médio histórico”.

As reservas internacionais deverão continuar em acumulação em 2008, para um stock de 346 milhões de euros, o que equivale a 3,8 meses de importações de bens e serviços esperados para 2009.

“A evolução dos Activos Externos Líquidos continua a traduzir os efeitos de uma posição externa favorável, impulsionada sobretudo pela balança de serviços e pelo Investimento Directo Estrangeiro”, adianta.

A partir de Janeiro de 2008, Cabo Verde passa a ser o primeiro país africano lusófono e um dos poucos do continente classificado como País de Desenvolvimento Médio (PDM), em vez de País Menos Avançado (PMA), segundo decisão do Conselho Económico e Social (Ecosoc) das Nações Unidas.

Caso não se depare com nenhum obstáculo de última hora, deverá também ser formalizada no próximo ano a parceria entre o arquipélago e a União Europeia, que conheceu um importante avanço durante a presidência portuguesa do Conselho Europeu – a anuência de todos os países-membros.

O acordo foi já submetido ao Parlamento Europeu para ratificação e deverá ficar definitivamente aprovado na próxima reunião do Conselho de Assuntos Gerais e Relações Externas, a decorrer em Bruxelas nos dias 19 e 20 de Novembro. (macauhub)

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