Actividade económica vai crescer em todos os países de língua portuguesa, com Angola em destaque

31 December 2007

Macau, China, 31 Dez – A actividade económica vai crescer em todos os países de língua portuguesa em 2008, mas é para os africanos, e sobretudo em Angola, que estão traçadas as previsões mais favoráveis.

Os mais recentes números da Economist Intelligence Unit (EIU) de Londres apontam mesmo para Angola o maior aumento do PIB a nível mundial – 21,4 por cento – apesar de um ligeiro abrandamento do ritmo em relação à estimativa de 2007 – 23 por cento.

Além do crescimento da actividade nos sectores do petróleo e dos diamantes, o país está a beneficiar de um aumento exponencial de investimento, em particular o público suportado no crédito estrangeiro, como o concedido pela China num valor total de sete mil milhões de dólares (Eximbank e Fundo Internacional da China), e também, mais recentemente, pela banca privada.

Na maior operação financeira montada até hoje pela banca angolana, um sindicato bancário abriu no final do ano uma linha de crédito no valor de 3,5 mil milhões de dólares a favor do governo de Angola, que prevê aplicar a verba em projectos de reconstrução.

Dados do Banco Nacional de Angola (BNA) indicam que, graças à reanimação da economia, o crédito à economia cresceu na casa dos 80 por cento até meados de 2007, em relação a igual período do ano anterior.

“Há um clima de optimismo face à economia angolana, com alguma surpresa positiva relativamente à capacidade das autoridades para reabilitar as infra-estruturas e melhorar as condições das populações”, afirma o banco português BPI, num dos últimos relatórios sobre a economia angolana.

A outra face da moeda do crescimento económico, é a inflação, que tarda em descer como pretendem as autoridades, para o que contribuem também constrangimentos na oferta de bens e serviços.

Segundo os dados mais recentes dados do Ministério das Finanças angolano, a inflação deverá manter-se na casa dos dez por cento em 2008, uma descida ligeira face aos 12 por cento estimados para 2007.

A economia deverá crescer 16,2 por cento em 2008, um abrandamento em relação aos 19,8 por cento estimados para o ano que agora termina, que começou com uma previsão de crescimento oficial na casa dos 31,2 por cento.

O sector petrolífero, que representa a principal fatia do Produto Interno Bruto (PIB), deverá crescer 13,3 por cento no próximo ano, enquanto para o sector não petrolífero é prevista uma variação de mais 19,5 por cento.

O representante do Banco Mundial em Angola, Alberto Chueca, afirmava recentemente que o PIB do país poderá ascender dos actuais 60 mil milhões de dólares para 100 mil milhões de dólares dentro de três anos.

Se o ritmo de crescimento angolano está a abrandar, já em Cabo Verde a tendência é de aceleração, algo que no espaço lusófono só tem paralelo em Portugal, segundo as previsões disponíveis.

O último relatório do Banco de Cabo Verde ao governo, indica que em 2008 o PIB irá crescer entre 6,5 e 7,5 por cento, acima dos 6,4 por cento esperados para 2007, e num quadro de manutenção da tendência de fortalecimento da situação financeira do arquipélago.

O Fundo Monetário Internacional espera uma subida de 6,9 por cento em 2007 para 7,5 por cento em 2008, e 7,8 por cento em 2009.

A perspectiva de crescimento “reflecte aumentos significativos dos fluxos de investimento directo estrangeiro previstos. O crescimento a médio prazo deverá ficar acima dos sete por cento, em média, impulsionado principalmente pela expansão da indústria do turismo através do investimento”.

Já em Moçambique e em São Tomé e Príncipe a tendência é de estabilização do ritmo de crescimento económico.

Em entrevista recente à Reuters, o presidente moçambicano Armando Guebuza revelava que o crescimento deverá manter-se nos sete por cento em 2008, com a inflação controlada na casa dos seis por cento.

O crescimento tem sido suportado por grandes investimentos estrangeiros e ajudado pelo recente perdão de grande parte da dívida externa e aumento da produção agrícola; para os próximos anos, é esperado um impulso importante do sector da Energia, agora que o controlo da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, segunda maior empresa do país, passou para o Estado moçambicano.

A transferência do controlo da barragem, dizia Guebuza à Reuters, “vai encorajar mais investimentos na área da Energia, que é vital para a industrialização e também para as exportações para os países na região [da África Austral] que têm um défice em termos de disponibilidade energética”.

Um estudo recentemente divulgado pelo Banco Mundial conclui que Moçambique foi o país africano que cresceu de forma mais diversificada e sustentada na década até 2005, seguido de perto por São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.

Com um crescimento médio de 8,3 por cento entre 1996 e 2005, Moçambique supera o Ruanda (7,6 por cento), São Tomé (7,1 por cento) e, também, Botswana e Uganda, na lista das economias “diversificadas”, de acordo com o relatório Indicadores de Desenvolvimento de África 2007.

Quanto a São Tomé e Príncipe, o FMI prevê para o próximo ano um crescimento de seis por cento, sensivelmente o mesmo que o estimado para 2007 e que o previsto para 2009.

“A economia reanimou-se em 2006, suportada por um aumento nos fluxos de capital, que deram um impulso ao investimento privado, e também pela despesa pública. O crescimento do PIB é liderado pelas actividades da construção, serviços e comércio”, refere o último relatório do FMI sobre o arquipélago lusófono, que deverá conhecer em 2008 importantes novidades sobre as reservas de petróleo nas suas águas territoriais.

Quanto à Guiné-Bissau, o FMI está a prever uma travagem em 2008 – de 3,7 por cento para 3,1 por cento – que só deverá ser interrompida em 2009.

A partir de 2009 e nos quatro anos seguintes prevê-se uma aceleração constante, para um máximo de 4 por cento 2012.

Contudo, refere o fundo, o cenário é “incerto” dada a dependência de ajuda externa e os sérios constrangimentos à actividade económica interna, nomeadamente ao nível das infra-estruturas e funcionamento do sector público.

Do outro lado do Atlântico, o crescimento da economia do Brasil deverá abrandar para 4,5 por cento em 2008, dos 5,2 por cento previstos para 2007 pelo Banco Central.

O crescimento, referem os últimos dados do regulador financeiro, está a apoiar-se na procura interna e no investimento.

“A consistência do processo de crescimento da economia é reforçada pela trajectória dos investimentos, seja em termos de resultados recentes, seja em relação às intenções expressas em pesquisas de expectativas empresariais. A evolução do consumo das famílias persiste, favorecida pelas melhores condições de crédito, pelo crescimento da massa salarial real e por indicadores de confiança positivos”, afirma o relatório divulgado pelo Banco Central na semana passada.

Já em Portugal, o Governo prevê que o PIB cresça 2,2 por cento em 2008 e 2,8 por cento em 2009, completando uma trajectória de quatro anos seguidos de aceleração.

Timor-Leste, depois de um crescimento recorde de 27,4 por cento em 2007, deverá ficar-se pelos 3,8 por cento em 2008, segundo os últimos dados do FMI. (macauhub)

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