Angola: Ritmo da reconstrução mais lento que o previsto, apesar de disponibilidade de verbas

17 January 2008

Lisboa, Portugal, 17 Jan – O ritmo dos projectos de reconstrução da economia angolana está a ser mais lento do que o previsto, apesar da disponibilidade de fundos e do cenário macro-económico favorável, segundo o último relatório do banco BPI sobre Angola.

“Apesar dos progressos feitos, a concretização do Programa de Investimentos Públicos (PIP) tem ficado sistematicamente aquém do planeado, o que significa que o processo de reconstrução da economia está a desenvolver-se a um ritmo mais lento que o esperado”, lê-se no relatório do gabinete de Estudos Económicos e Financeiros do BPI.

Entre as razões apontadas para essa lentidão estão a incapacidade do aparelho produtivo angolano dar resposta às exigências de alguns projectos, nomeadamente devido à falta de mão-de-obra qualificada e exiguidade das vias de comunicação.

O maior esforço de investimento está concentrado na Energia e Águas, Transportes, Telecomunicações, Saúde e Educação, áreas consideradas determinantes para o desenvolvimento da economia.

A despesa total de investimento prevista é de 9,6 mil milhões de dólares, dos quais 5,6 mil milhões obtidos através de financiamento e o restante pelo Orçamento de Estado de Angola.

De acordo com os dados do Banco Mundial e Ministério das Finanças apresentados pelo BPI, referentes a Abril de 2007, o montante total das linhas de crédito abertas por países europeus supera actualmente 3,1 mil milhões de dólares.

Entre estes destacam-se a Alemanha (perto de 1,3 mil milhões de euros) e Espanha (mil milhões de euros), que superam largamente os 300 milhões de dólares da linha de crédito portuguesa, através da Companhia de Seguros de Crédito (Cosec).

De considerar ainda os 750 milhões de dólares da linha da israelita Luminar Finance, 580 milhões de dólares da brasileira Proex e 750 milhões de dólares do Banco de Desenvolvimento do Brasil.

Mas o grosso do crédito ao dispor do governo angolano vem da China – dois mil milhões de dólares do China Eximbank e os 9,8 mil milhões de dólares do Fundo Internacional da China.

O Banco Português de Investimento é a matriz original do Grupo BPI, o quarto maior grupo financeiro privado português, com um activo de 36,4 mil milhões de euros, que detém a 100 por cento o Banco de Fomento de Angola, líder na actividade da banca comercial com uma quota de mercado superior a 23 por cento. (macauhub)

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