Moçambique: Banco Mundial adverte para riscos de economia assente em exploração de recursos

5 February 2008

Maputo, Moçambique, 05 Fev – O presidente do Banco Mundial (BM), Robert Zoellick, ofereceu segunda-feira em Maputo a assistência da instituição para ajudar Moçambique a evitar as consequências de uma concentração do desenvolvimento económico do país nos recursos naturais.

“É necessário evitar os problemas que vimos noutras partes relacionados com a dupla economia (nos quais a exploração das riquezas naturais se desenvolve a despeito do resto da economia)”, disse Zoellick, em conferência de imprensa no final da sua visita de três dias a Moçambique.

Zoellick sublinhou ainda a importância da “Iniciativa para a Transparência das Indústrias Extractivas” (EITI), que vincula os governos e as empresas que exploram recursos naturais a publicaram detalhes das receitas provenientes dessa exploração.

Moçambique ainda não aderiu a esta iniciativa, mas, de acordo com Zoellick, o país “está a caminhar nesse sentido”, estando o governo consciente dos perigos da “dupla economia”.

No entender do presidente do BM, a disparidade no desenvolvimento económica pode ser resolvida canalizando as receitas da exploração dos recursos naturais para o desenvolvimento social e para o fortalecimento das pequenas e médias empresas.

“As economias duais são especialmente vulneráveis à corrupção”, advertiu Zoellick, considerando que o presidente moçambicano, Armando Guebuza, está consciente deste perigo.

“Os estados estão frequentemente a oferecer concessões, que podem ser fruto de subornos. É, por isso, útil adoptar a transparência para que os cidadãos possam saber que dinheiro está a ser pago”, disse Zoellick. “Isto é um desafio para todos os países que exploram recursos naturais e que têm grandes projectos de infra-estruturas”, salientou.

Robert Zoellick chegou à capital moçambicana no termo de um périplo que o levou à Etiópia, Mauritânia e Libéria.

Os Objectivos do Milénio para o Desenvolvimento, a agricultura e o impacto dos preços dos alimentos para as camadas mais pobres das populações foram temas em destaque nos encontros do presidente do BM com responsáveis dos restantes países africanos visitados.

Ao longo dos últimos quatro anos (2003-2007), os organismos do Banco Mundial transferiram para Moçambique 2,5 mil milhões de dólares. (macauhub)

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