Cabo Verde: China apoia relançamento dos estaleiros navais cabo-verdianos

3 March 2008

Praia, Cabo Verde, 03 Mar – Os Estaleiros Navais de Cabo Verde (Cabnave), que vivem uma situação difícil há vários anos, vão ser relançados com o apoio da empresa chinesa China (Overseas) Fisheries Co (CNFC), uma de várias do sector marítimo em vias de lançar projectos no arquipélago lusófono.

Segundo Manuel Inocêncio Sousa, ministro cabo-verdiano das Infra-estruturas, Transportes e Mar, a CNFC, que tem importantes operações pesqueiras na costa ocidental africana, já manifestou interesse e pediu para ser considerada parceira na privatização da Cabnave, o que é fortemente apoiado pela empresa cabo-verdiana, que tem actualmente cerca de 200 trabalhadores.

“A CNFC possui uma frota pesqueira importante nesta zona do Atlântico, constituída por 245 barcos que operam entre Marrocos e a Serra Leoa. Só a reparação desses navios na Cabnave dinamizaria, e de que maneira, a indústria naval em SãoVicente. Isto sem contar com a participação da mesma firma na reabilitação da Cabnave, através da privatização”, afirmou a um semanário cabo-verdiano Baltasar Ramos, administrador da Cabnave.

O mesmo responsável avançava que a CNFC deverá em breve apresentar um plano de negócios para a empresa cabo-verdiana, que será apreentado junto do Gabinete de Privatizações e do Governo, juntamente com a proposta para a privatização.

Posteriormente, deverá ser criado um grupo de trabalho, que irá analisar a proposta e dar o seu parecer ao governo da Praia.

Mas o interesse da CNFC em Cabo Verde não se esgota na Cabnave.

Segundo Baltasar Ramos, a pesqueira chinesa está também interessada em criar um Centro de Operações em São Vicente, que funcionaria como uma base logística para a sua frota pesqueira.

A privatização da Cabnave, que chegou a estar em falência técnica, vem sendo considerada na Praia desde 1998.

Em 2005 foi equacionado o lançamento de um concurso público internacional, em que se previa a concessão da gestão a um terceiro, mas o processo acabou por, novamente, ser suspenso.

Em paralelo à parceria chinesa na Cabnave, o governo cabo-verdiano está a tentar reabilitar a unidade frigorífica da Interbase, neste caso com apoio de Espanha.

O ministro dos Transportes, Manuel Inocêncio, afirmava recentemente à imprensa local que o projecto encontra-se no Ministério do Comércio Externo espanhol, aguardando apenas “luz verde” de Madrid.

“Logo que estiver confirmado o financiamento para modernizar e reabilitar a Inerbase, o governo de Cabo Verde desencadeará o processo que levará ao estabelecimento de uma parceria com empresários de pesca da Espanha, para, em regime de concessão, explorarem a referida unidade fabril”, afirmou o ministro.

Com os dois projectos, adianta, será possível criar no Porto Grande do Mindelo, uma base de pesca capaz de atrair as frotas pesqueiras de Espanha e China, que operam na zona marítima oeste-africana.

Pelo porto do Mindelo e pela Cabnave passou também recentemente uma delegação da cidade de Shenzhen, chefiada pelo vice-presidente Zhuo Qinrui.

A visita serviu para a Enapor empresa pública que gere os portos cabo-verdianos, apresentar as potencialides das infra-estruturas do arquipélago, e os ambiciosos projectos de expansão das mesmas.

Entre as empresas chinesas do sector marítimo em expansão para Cabo Verde o destaque vai para a China Ocean Shiping Companies Group (Cosco), uma das maiores empresas de transbordo do mundo, que está a trabalhar numa parceria com a Enapor.

O plano de negócios da Enapor prevê aumentar a carga movimentada nos portos do arquipélago em 68 por cento até 2015.

O anúncio da aproximação entre empresas marítimas vai ao encontro do objectivo traçado pelas autoridades dos dois países, nomeadamente para a ilha de São Vicente, onde está o maior e melhor apetrechado porto marítimo do arquipélago, que possui instalações de frio que permitem a conservação de pescado, para depois ser reexportado.

As pescas e transbordo têm sido uma das áreas em que Cabo Verde mais tem manifestado interesse de aprofundar cooperação com a China, juntamente com a criação de zonas francas (industrial e comercial) e turismo. (macauhub)

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