Moçambique: FMI defende “rede social de segurança” para enfrentar aumento de preços de bens essenciais

2 April 2008

Maputo, Moçambique, 02 Abr – as autoridades moçambicanas devem apostar numa “rede social de segurança” que permita amortecer o impacto interno da alta dos preços do petróleo e dos alimentos, afirmou terça-feira em Maputo o chefe da mais recente missão do Fundo Monetário Internacional.

Em declarações à agência noticiosa portuguesa Lusa, o chefe da missão do FMI que, de 18 a 31 de Março esteve em Moçambique a avaliar o desempenho económico do país, deu como exemplo o subsídio entregue pelo Governo moçambicano aos operadores de transportes privados de passageiros para evitar o aumento de tarifas motivado pela subida do preço do petróleo nos mercados internacionais.

Jean Clément esclareceu que o FMI não se oporá à concessão de subsídios na conjuntura actual, mas desde que “muito bem orientados”, concentrados e limitados no tempo.

O aumento do preço do petróleo e dos alimentos, além das calamidades naturais e dos gastos com as eleições previstas para o final do ano, são, precisamente, os “principais riscos” identificados pelo responsável do FMI para a economia moçambicana em 2008.

Uma economia que, apesar disso, tem “boas perspectivas de crescimento” até ao final do ano, na linha do “forte crescimento” já registado em 2007 (7,3 por cento).

O FMI aplaudiu, por outro lado, medidas tomadas pelo Governo moçambicano como a “nova estratégia de médio prazo para redução do custo de fazer negócios” no país, por forma a “tornar o ambiente empresarial de Moçambique mais competitivo no âmbito do SADC [Comunidade de Desenvolvimento da África Austral] até 2015”.

“Muito bem recebida” pelo FMI foi também a decisão das autoridades moçambicanas de aderir à Extractive Industry Transparency Initiative (EITI), reveladora da “intenção das autoridades em fortalecer a transparência dos grandes projectos” em curso no país.

Simultaneamente, o FMI saudou ainda o “fortalecimento da administração das finanças públicas” e a “alargamento da base tributária”, que permitiram que as receitas se situassem “acima do programado”

Jean Clément defendeu ainda que o apoio internacional à economia moçambicana (cerca de metade do Orçamento de Estado, assegurado por 19 parceiros) “é essencial e deve continuar”. (macauhub)

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