China: Depois de Angola, governo chinês olha para Cabo Verde como novo parceiro económico

13 May 2008

Paris, França, 13 Mai – A China, depois da sua rápida afirmação como um dos principais parceiros económicos de Angola, deverá a curto prazo fazê-lo também com o arquipélago de Cabo Verde, beneficiando do interesse das autoridades da Praia.

A previsão é feita no relatório African Economic Outlook 2008, esta semana divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e Comissão Económica das Nações Unidas para África (CENUA).

“Embora os países da zona euro continuem a ser os principais parceiros económicos, Cabo Verde está a procurar fortalecer a cooperação Sul-Sul, especialmente com a China” e também com o Brasil, países que também têm vindo a demonstrar apetência para o desenvolvimento das relações bilaterais.

A médio prazo, escrevem os analistas, também a África do Sul, Índia e Nigéria deverão elevar o nível das suas relações com o arquipélago lusófono, que este ano passou a ser considerado País de Desenvolvimento Médio e também aderiu à Organização Mundial de Comércio.

Cabo Verde já manifestou intenção de acolher uma das cinco zonas de cooperação económica chinesas em África e é geralmente considerado um forte candidato a ser escolhido pela China, tendo em conta o seu nível de desenvolvimento, disponibilidade de infra-estruturas, posição geográfica estratégica, abertura ao investimento estrangeiro e também pelo interesse e actividade demonstrado pelos agentes económicos chineses.

Actualmente, Portugal é o maior parceiro comercial de Cabo Verde, principal destino das exportações e origem de perto de 45 por cento das importações, bem à frente da Holanda com 16 por cento.

Entre os principais parceiros comerciais estão outros países europeus como a Holanda, França, Espanha, Itália e Suécia, que também são dos maiores investidores, numa altura em que o investimento directo estrangeiro recorde é um dos principais motores do crescimento económico de perto de sete por cento, que OCDE/BAD/CENUA prevêem manter-se nos próximos anos.

O relatório esta semana divulgado sublinha ainda a crescente afirmação de China e também dos Emiratos Árabes Unidos, entre os maiores investidores estrangeiros no arquipélago.

Numa investigação recentemente publicada, o investigador Loro Horta, da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam e da Universidade Tecnológica Nanyang (Singapura), aponta como áreas que apresentam maior potencial de reforço das relações económicas e comerciais bilaterais o sector marítimo-portuário, mas também o turismo, beneficiando do recentemente reconhecimento de Cabo Verde como destino turístico chinês.

“A zona económica especial de São Vicente seria em primeiro lugar desenvolvida como um centro de processamento de pesca industrial para atender às necessidades das várias frotas chinesas que operam no Atlântico. A China também espera fazer da ilha um ponto de passagem para o reabastecimento e apoio logístico aos milhares de navios chineses que atravessam o Atlântico Sul”, afirmava o investigador.

Em Cabo Verde, empresas públicas e privadas chinesas estão ligadas a projectos de grandes dimensões como o da primeira cimenteira do arquipélago, na ilha de Santiago, vários novos edifícios públicos, barragens, infra-estruturas básicas.

A China vai ainda apoiar o fornecimento de navios para fazer a ligação entre as oito ilhas do arquipélago, oferece 100 bolsas de estudo a estudantes cabo-verdianos, disponibiliza médicos para os hospitais locais e cancelou recentemente a dívida cabo-verdiana.

O relatório da OCDE/BAD/CENUA sublinha ainda o crescente envolvimento chinês em Angola, nomeadamente o estatuto alcançado pelo país africano de maior fornecedor petrolífero do gigante asiático.

O relatório sublinha ainda a dimensão do financiamento chinês à reconstrução angolana – sete mil milhões de dólares, através das duas linhas de crédito do Eximbank (dois mil milhões de dólares cada) e do Fundo Internacional da China (2,9 mil milhões de dólares).

As relações de apoio financeiro da China à reconstrução do país africano, que entrou em Fevereiro no seu sexto ano de paz, regem-se pelo acordo de cooperação bilateral de Novembro de 2003. (macauhub)

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