Moçambique e Guiné-Bissau entre os mais vulneráveis ao aumento dos preços

30 May 2008

Roma, Itália, 30 Mai – Moçambique e a Guiné-Bissau estão entre os 22 países mais vulneráveis à inflação do preço dos bens alimentares e combustíveis nos mercados internacionais, segundo dados quinta-feira divulgados pela Organização Alimentar Mundial (FAO).

Para o director-geral da agência alimentar das Nações Unidas, Jacques Diouf, o actual cenário da alimentação a nível mundial é “dramático” e coloca em causa as metas internacionais de erradicação da fome, sem que esteja à vista uma saída para a situação.

“Dada a seriedade do abastecimento alimentar mundial e o desequilíbrio da procura, os mercados de cereais podem não recuperar a sua estabilidade nos próximos tempos. Os preços podem baixar, mas não devem voltar a níveis baixos por muitos anos”, afirma Diouf, que pede acção “urgente” aos líderes mundiais.

O estudo “Aumento dos Preços de Alimentos: Factos, Perspectivas, Impactos e Intervenções Necessárias”, quinta-feira divulgado, é um dos documentos que estarão em cima da mesa na conferência de alto nível sobre Segurança Alimentar Mundial, que terá lugar entre 3 e 5 de Junho, em Roma, Itália.

Para a FAO, o país mais vulnerável é a Eritreia, que apresenta uma dependência de 100 por cento na importação de combustíveis, 88 por cento nos cereais e tem três quartos da população mal-nutrida.

Na lista de 22 países – todos africanos à excepção de Tajiquistão, Haiti, Cambodja e Coreia do Norte – seguem-se Burundi e Comoros.

Moçambique e Guiné-Bissau são ambos completamente dependentes da importação de combustíveis, mas na compra de cereais ao estrangeiro o primeiro país tem uma dependência de 20 por cento e o segundo de 55 por cento.

Segundo os dados da FAO, a má nutrição é actualmente maior em Moçambique (44 por cento) do que na Guiné-Bissau (39 por cento). (macauhub)

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